24/09 - 15:34 - The New York Times
BANGCOC – Os maiores protestos nas ruas de duas décadas contra o governo militar de Mianmá chamou atenção no domingo quando inúmeros observadores aplaudiam milhares de monges budistas e mostravam apoio para a líder pró-democracia presa Daw Aung San Suu Kyi.
No sexto dia de chuvas, o protesto reuniu dez mil monges na cidade de Yangon, antes conhecida como Rangoon, de acordo com testemunhas e outros relatos vindos desse país fechado, incluindo algumas filmagens clandestinas.
A manifestação aconteceu um dia antes do grupo de centenas de monges prestarem seu respeito para Aung San Suu Kyi no portão de sua casa, a primeira vez que ela foi vista em público em mais de quatro anos.
A ligação entre o clérigo e a líder do movimento pró-democracia do país, o começo da participação pública em massa nas marchas e um pedido feito por alguns monges por um protesto mais amplo aumentaram a aposta para o governo. Até agora, ele permitiu que os monges reinassem nas ruas livremente, aparentemente temendo uma rebelião pública se atacá-los em uma nação budista.
Os monges andaram por inúmeras cidades no domingo, principalmente na segunda maior do país, Mandalay, onde cerca de 100 mil pessoas, incluindo quatro mil monges, protestaram no domingo.
A imprensa controlada pelo estado não publicou relatórios sobre as demonstrações dos monges.
Desde que o Exército acabou com uma rebelião pacífica em 1988, matando aproximadamente três mil civis, o país, antes conhecido como Burma, afundou na pobreza e repressão e se tornou um símbolo para o exterior da severa conquista militar de uma sociedade.
Aung San Suu Kyi, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991, ficou presa dentro de sua casa durante 12 dos últimos 18 anos e o governo prendeu vários ativistas políticos.
O presidente Bush; sua mulher Laura; e várias celebridades de Hollywood falaram recentemente sobre Mianmá, e os abusos dos direitos políticos e humanos pela junta militar pode receber bastante atenção em uma importante sessão da ONU que começará essa semana.
A secretária de Estado Condoleezza Rice perguntou sobre Mianmá quando ela chegou na ONU no domingo, e disse para os jornalistas que a administração Bush estava monitorando de perto como o governo lida com os protestos. “O povo birmanês merece mais”, ela disse. “Eles merecem uma vida de liberdades, assim como todo mundo. A brutalidade desse regime é bem conhecida e falaremos disso. Também acredito que o presidente Bush tratará do assunto com vários de seus colegas”.
- Seth Mydans
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