30/08 - 10:16 - The New York Times
O presidente francês Nicolas Sarkozy tomou a postura errada na hora errada ao apoiar o possível uso de força contra o programa de armas nucleares do Irã em seu primeiro grande discurso sobre política externa. Os Estados Unidos e seus aliados precisam aumentar seus esforços para resolver os sérios perigos posados pelo Irã por meio de negociações abrangentes e maior pressão econômica internacional, e não por meio de ações militares.
Sarkozy, que havia dito anteriormente que a França não se juntaria a Washington nas ações militares contra o Irã, não exatamente apoiou um ataque às instalações nucleares do Irã durante seu discurso na segunda-feira. Afirmou que um Irã com armas nucleares seria "inaceitável" e reafirmou seu apoio à corrente iniciativa diplomática pelos Estados Unidos, França e outras potências mundiais. Tal iniciativa envolve a imposição de sanções da ONU contra o Irã ao mesmo tempo em que oferece significativos benefícios políticos e econômicos se o país parar de enriquecer urânio. É um acordo que até agora o Irã vem recusando.
O que é assustador é que seus comentários podem refletir seu entendimento sobre onde a política americana é destinada. Muito mais próximo de Washington do que seu predecessor, Sarkozy acabou de passar férias com o presidente Bush no Maine. Seus comentários, refletindo seu estilo duro e sem rodeios, será interpretado como uma advertência à Teerã e aos países relutantes em aumentar as sanções contra as ambições nucleares iranianas. A mensagem é: se a iniciativa diplomática fracassar, ou o Irã terá armas nucleares ou haverão ações militares para prevenir que isto aconteça. Bush colocou mais lenha na fogueira na quarta-feira ao sugerir que as ameaças nucleares do Irã eram uma justificativa para manter as tropas americanas no Iraque.
Comentários diretos como os de Sarkozy têm tendência a sair pela culatra no Irã, acendendo sentimentos nacionalistas que beneficiam líderes inflexíveis, como o presidente Mahmoud Ahmadinejad, que bate de frente com o ocidente e não abre mão de absolutamente nada. Também podem ser interpretados pelos abutres da administração Bush como um sinal de crescente aceitação européia da opção militar. A França mostrou impressionante determinação diplomática e deveria tirar proveito disto para colocar mais pressões no Irã. Sarkozy não deveria dar qualquer desculpa para Bush diminuir os esforços diplomáticos.
As chances de persuadir Teerã a abrir mão de suas armas nucleares podem ser pequenas. Porém a comunidade internacional tem pelo menos mais uma oportunidade de intensificar as sanções. Durante os últimos anos, os Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Alemanha fizeram progressos notáveis na formação de um consenso internacional oposto ao programa de armas nucleares do Irã. Mas para que isto seja traduzido em sanções eficazes, o Conselho de Segurança da ONU precisa permanecer unido.
Teerã fez um acordo neste mês com inspetores da ONU para resolver questões sobre seu programa nuclear que não passa de outro fingimento em endereçar preocupações internacionais. China e Rússia, principais obstrucionistas no Conselho de Segurança, tentarão usar tal acordo como uma desculpa para resistir a sanções mais pesadas. Os Estados Unidos e seus aliados deveráo pressionar de forma criativa pelas maiores sanções possíveis. Esta é a hora para diplomacia robusta, não ameaças.
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