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Editorial: a brincadeira de esconde-esconde da Casa Branca

24/08 - 09:53 - The New York Times

A obsessão com segredos da administração Bush tomou outra absurda direção nesta semana. A administração está afirmando que o Gabinete Administrativo da Casa Branca não é coberto pelo Ato de Liberdade de Informação (FOIA), embora existam razões bastante convincentes para se acreditar no contrário. Como o fato do gabinete possuir seu próprio agente do FOIA e ter respondido a 65 pedidos do órgão no último ano. Além disso, o website da Casa Branca mostra que o gabinete é de fato coberto pelo FOIA.

A afirmação sem lógica da administração sobre o Gabinete Administrativo segue o caminho do risível argumento do vice-presidente Cheney de que seja imune à uma lei de governo aberto pois seu gabinete supostamente não é uma agência executiva.

A briga sobre o status do Gabinete Administrativo é parte de uma batalha maior sobre o acesso a estimados 5 milhões de mensagens de e-mail que misteriosamente desapareceram dos computadores da Casa Branca. As mensagens perdidas são evidências importantes no escândalo da demissão de nove procuradores americanos, aparentemente porque se recusaram a usar suas posições para ajudar candidatos republicanos a vencer as eleições. O Gabinete Administrativo parece saber bastante sobre quando e como tais mensagens desapareceram, porém não quer dizer ao público.

O quê exatamente a administração quer esconder? Obviamente está agindo como se as mensagens de e-mail fossem confirmar as suspeitas de que a Casa Branca coordenou as demissões dos procuradores e pode ter quebrado leis. É difícil acreditar na constante repetição da Casa Branca em dizer que não teve participação no escândalo dos procuradores quando a mesma vem se esforçando tanto para evitar a divulgação dos fatos.

A recusa da administração em cumprir com leis de governo aberto é, no final das contas, mais importante do que qualquer escândalo. O Ato de Liberdade de Informação e outras leis similares foram aprovados pois a transparência governamental é vital para uma democracia. O povo americano não consegue monitorar seus políticos eleitos, e assegurar que ajam no melhor interesse da população, se o governo continuar operando sob um véu de segredo.

Felizmente, a Casa Branca não possui a palavra final no Gabinete Administrativo. Expôs seus argumentos absurdos a um juiz federal que poderá restaurar a lógica desta situação ao decidir que o Ato de Liberdade de Informação se aplica ao caso e que os dados deverão ser entregues.





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