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Editorial: O relatório da CIA

23/08 - 15:38 - The New York Times

O relatório feito pelo inspetor geral da CIA sobre os fracassos da agência antes dos ataques de 11 de setembro foi devastador – mas não por ter revelado que os espiões americanos ignoraram a ascensão da Al-Qaeda. George Tenet, na época diretor da CIA, avisou sobre o grupo terrorista. Ele enviou um memorando para toda a comunidade de inteligência dizendo que não era para poupar nada na “guerra” contra Osama bin Laden. Ele aconselhou os consultores mais próximos do presidente a atacarem uma base da Al-Qaeda no Afeganistão.

O perturbador é que tudo isso aconteceu durante o governo do presidente Bill Clinton. Quando George W. Bush chegou à Casa Branca, Tenet parece ter mudado suas prioridades. O chefe da CIA de repente ficou obcecado em manter seu emprego.

O time Bush estava tão ocupado em 2001 tentando organizar as relações globais da América de acordo com uma agenda neo-conservadora que a consultora de segurança nacional da época, Condoleezza Rice, não viu urgência em relatórios que diziam que a Al-Qaeda estava determinada a atacar os EUA. Tenet depois ajudou a divulgar a inteligência exagerada que Bush usou para justificar o desvio da guerra de necessidade contra a Al-Qaeda, no Afeganistão, para a guerra de sua escolha no Iraque.

A data do relatório, junho de 2005, que resume as políticas de Bush sobre transparência e prestação de contas, foi outro aspecto perturbador. Ele não acredita em nenhuma das duas. Não é surpreendente que o relatório tenha sido publicado apenas nesta terça-feira, e, não, em 2005. Bush havia acabado de condecorar Tenet com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo seu papel “essencial” na luta contra a Al-Qaeda.

O desesperador é que o diretor atual da CIA, o general Michael V. Hayden, disse que ele não teria publicado o relatório se o Congresso, liderado pelos democratas, não tivesse pedido. Como seu predecessor, Hayden parece não ter muita confiança na sociedade americana. “Isso irá, no mínimo, consumir tempo e atenção revendo assuntos que já foram vistos”, disse, acrescentando que o gabinete do inspetor geral não pode trabalhar a não ser que seja secretamente.

Não podemos discordar mais. As recomendações do inspetor geral foram mornas – um comitê deve decidir se investigará mais o assunto – e a administração já se recusou a cooperar. Porém, a obsessão com o segredo e a recusa em aceitar uma análise pública resultaram em uma trágica confusão na política de segurança nacional.

Os americanos ainda não sabem a história completa de como Bush os empurrou para uma guerra em que os soldados estão presos sem uma chance de vitória. O Congresso se apressou para aprovar mudanças muito perigosas para a estrutura da Constituição – o Ato Patriota, o Ato de Comissões do Exército de 2006, mudanças recentes no Ato de Vigilância e Inteligência Internacional – sem uma deliberação real.

A boa notícia é que o senador democrata Jay Rockefeller agora preside o Comitê de Inteligência do Senado e pressionou pela liberação do relatório. Ele também está pressionando o comitê para terminar com a investigação sobre o mito das armas de destruição em massa do Iraque.

Não se trata de rever assuntos antigos. Ignorar os erros do passado é condenar uma nação a repeti-los. Pense na comparação que Bush fez na quarta-feira entre o Iraque e o Vietnã. A única lição que ele aprendeu da última guerra internacional foi que ela acabou rápido demais.





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