22/08 - 16:27 - The New York Times
WASHINGTON - Quando Bush e Nouri Kamal al-Maliki do Iraque ficaram lado a lado na Jordânia em novembro último, o presidente proclamou o primeiro-ministro como sendo "o homem certo para o Iraque".
Hoje em dia, tal frase já evaporou do vocabulário de Bush.
Ao invés disso, Bush reconheceu "um certo nível de frustração" com o fracasso do governo iraquiano em unificar suas facções étnicas. Seus comentários foram feitos horas após o principal diplomata americano em Bagdá, o embaixador Ryan C. Crocker, ter chamado o progresso político no Iraque de "extremamente decepcionante" e advertiu que o apoio americano ao governo Maliki não veio em forma de "cheque em branco".
Realmente não foi um voto de confiança concedido pelo senador Carl Levin do Michigan, presidente democrata do Comitê das Forças Armadas, que na segunda-feira declarou que al-Maliki deveria deixar o poder. Porém foi uma tentativa da Casa Branca em se distanciar do governo de Maliki antes de setembro, quando o aumento de tropas do presidente sofrerá intensa reavaliação no Capitólio. O timing não é coincidência. Bush já vem enfrentando ceticismo dentro de seu próprio partido sobre o aumento das tropas, e certamente enfrentará outro round de tentativas pelos democratas de forçar um fim para a guerra. Então ele parece estar preparando o terreno para uma nova mensagem, uma que diz "estamos fazendo nosso trabalho no Iraque, não é culpa nossa se o Iraque não está fazendo o seu".
Bush não está nada pronto para jogar a toalha no Iraque. Na quarta-feira, no primeiro de dois grandes discursos sobre a guerra, atacará com força aqueles que forçam um fim do aumento das tropas.
Especialistas afirmam que Bush não parece estar tentando forçar o afastamento de al-Maliki, apenas por não haver uma alternativa óbvia. Ao invés disso, dizem, os comentários do presidente têm o objetivo de atingir sua audiência doméstica. Em janeiro, Bush vendeu o aumento de tropas para o país como um plano que acabaria com a violência e criaria "um espaço político para respirar", permitindo assim que shia, sunitas e curdos do Iraque criassem um governo de união.
Bush agora admite publicamente o que qualquer pessoa que siga os eventos no Iraque consegue enxergar claramente: apenas metade do plano funcionou.
- Sheryl Gay Stolberg e Jim Rutenberg
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