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Editorial: a demissão de uma combatente da Aids

14/08 - 09:39 - The New York Times

Gostaríamos de saber qual parte da devastadora epidemia de Aids na África do Sul o presidente Thabo Mbeki não quer entender. Mbeki fracassou catastroficamente em enfrentar o maior desafio deste país.

Por anos, ficou preso à teorias sem sentido que disputavam os fatos demonstráveis de que a Aids seja transmitida por um vírus tratável. Também insistiu que não conhecia ninguém com Aids, mesmo que cerca de 20% da população adulta da África do Sul viva com a doença. Além disso, sugeriu que os remédios antiretrovirais eram tóxicos, e encorajou o uso de medicamentos herbais populares. Como resultado, milhares de sul-africanos ficaram doentes e morreram sem necessidade.

Agora, Mbeki demitiu uma das ativistas mais engajadas na luta contra a Aids de sua administração, a vice-ministra da saúde Nozizwe Madlala-Routledge.

Madlala-Routledge forneceu um breve interlúdio de sanidade e seriedade após o ministro da saúde - que recomendou terapias com raiz de beterraba e alho - ter ficado doente no último outono. Durante os nove meses seguintes, Madlala-Routledge promoveu um ambicioso porém atingível objetivo de cortar o número de infecções por HIV pela metade e tratar 80% das pessoas com necessidades até 2011.

Mas após seu chefe, o defensor da beterraba e do alho, retornar ao trabalho no início deste verão, tal nova seriedade foi deixada de lado. E, na semana passada, a mulher responsável por ela também.

A explicação oficial sobre a demissão de Madlala-Routledge foi que a mesma não possuía aprovação do governo para uma viagem que fez à Espanha para participar de uma conferência sobre Aids. O motivo mais provável, entretanto, foi a visita que fez ao hospital Frere na província do Cabo Oriental em julho onde, sincera como sempre, condenou as condições abomináveis do local como uma emergência nacional.

Diferente de outros países africanos, a África do Sul possui os recursos financeiros e o talento médico para combater com sucesso a epidemia da Aids. O que falta é um presidente que se importe suficientemente com o sofrimento de seu povo para fornecer uma liderança séria. Mbeki ainda possui mais dois anos no poder. A menos que finalmente comece a ouvir os avisos concretos sobre a Aids, deixará um legado trágico de pseudociência e mortes desnecessárias.

 





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