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Editorial: o primeiro passo para salvar Darfur

03/08 - 10:15 - The New York Times

O Conselho de Segurança da ONU tomou um passo significativo em direção ao fim do genocídio na região de Darfur, no Sudão, autorizando que uma força de paz conjunta entre ONU e União Africana comece suas operações neste outono. Com 26 mil soldados e policiais, será a maior iniciativa de paz do mundo.

O Conselho de Segurança deveria ter agido há muito tempo. O custo de quatro anos de contemporização foram pelo menos 200 mil pessoas mortas, 2,5 milhões retiradas de suas casas e uma crise que se espalhou pelas fronteiras até o Chade e a República Centro Africana.

O governo do Sudão deve agora cumprir suas promessas de apoiar ao invés de obstruir tal iniciativa: fornecendo as pistas de aterrissagem, autorizações de vôo e cooperação em terra às forças internacionais.

O centro da missão é proteger os civis de Darfur, reforçando acordos de paz negociados entre grupos rebeldes armados e o governo sudanês, suprimindo ataques de ambos os lados e impedindo carregamentos ilegais de armas. Embora este tipo de manutenção da paz seja bastante necessário, Darfur também precisa de bastante ajuda para acabar com as matanças. 

Essencialmente, a luta em Darfur - localizada a 965km da capital sudanesa, Khartoum - é sobre recursos escassos e a mortal discriminação do governo sudanês contra a região. Embora as riquezas do petróleo fluam no Sudão, quase tudo está concentrado nas mãos da elite da capital e quase nada em Darfur. Quando as pessoas do local levantaram-se em revolta, Khartoum lançou uma repressão genocida executava por milícias armadas e apoiadas pelo Exército conhecidas como janjaweed. Darfur também está internalmente dividida entre nômades e fazendeiros forçados a competir pelas escassas reservas de água.

Acabar com a matança exigiria não apenas o desarmamento do janjaweed, mas também trazer todos os grupos rebeldes de Darfur ao ainda parcial acordo de paz. Uma iniciativa deste tipo começará na sexta-feira na Tanzânia.

Alcançar um acordo político abrangente irá exigir uma mudança de mentalidade, começando com a mentalidade discriminatória de Khartoum. E para evitar que uma nova guerra interna por recursos aconteça, haverá a necessidade de uma nova estrutura para o desenvolvimento da região.

A pressão mundial, iniciada por campanhistas comuns, porém acompanhada pelo presidente Bush e mais recentemente pela China e a Liga Árabe, é finalmente sentida em Khartoum. A pressão deverá continuar para que o presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, acabe entendendo que não será permitido transformar Khartoum em uma bolha de prosperidade petroleira enquanto o povo de Darfur é assassinado e estuprado, e seus sobreviventes largados para morrer de fome, sede e doenças. E a pressão deverá continuar nos meses cruciais adiantes para que a nova força de paz seja bem-sucedida. 

Acabar com a matança deverá ser prioridade. Mas o desafio de salvar Darfur não termina por aí.

 





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