17/07 - 19:24 - The New York Times
NOVA YORK - Desde a morte de Andy Warhol em 1987, o principal supervisor de seus bens e sua reputação tem sido a Fundação Andy Warhol de Artes Visuais. O grupo sem fins lucrativos de Greenwich Village, dono de grande parte de seus trabalhos, concedeu doações apoiando jovens artistas ao vender quadros, silk-screens e outras obras de Warhol por milhões de dólares ao longo dos anos.
Nos anos 90, a fundação foi perseguida por acusações de esquemas financeiros, resultando em investigações pelo estado que levaram à azedas batalhas de testemunho mas nenhuma sentença. Agora, entretanto, um cineasta de Nova York, que possui um Warhol menor, usou tais acusações como trampolim para um processo judicial.
O cineasta, Joe Simon-Whelan, argumenta que a fundação tramou uma conspiração por 20 anos para curvar o mundo das artes aos seus caprichos e, por meio de "agentes", "reuniões secretas" e arquivos falsificados, tentou ganhar o "domínio total" do mercado de Warhol.
Simon-Whelan afirma em seu processo que a fundação e a Comissão Andy Warhol de Autenticação Artística conspiraram em uma "empresa profundamente corrupta" para aumentar o valor das obras de propriedade da fundação ao negar a autenticidade de inúmeros trabalhos que supostamente são de autoria de Warhol.
O processo, registrado na sexta-feira no Tribunal Regional de Manhattan, afirma que o principal propósito da "conspiração Warhol" é "rejeitar o maior número possível de obras para assim induzir a escassez artificial no mercado de obras de Warhol, mantendo e aumentando o valor dos próprios bens da fundação".
K.C. Maurer, principal diretora financeira da fundação, disse na segunda-feira que não havia visto o processo e não poderia comentar sobre as acusações. Maurer disse que a fundação deu concessões, e não papéis de autenticação, e ficou inteiramente separada da comissão de quatro membros.
Vincent Fremont, agente exclusivo de vendas da propriedade de Warhol, disse em uma entrevista na segunda-feira que o processo é "uma loucura sem sentido".
"O que eu faço não é dominação", disse Fremont. "Eu protejo o legado de Andy Warhol e seu trabalho. Fui uma das últimas pessoas a trabalhar com Andy, então sou atacado a toda hora".
O processo de Simon-Whelan gira em torno de um auto-retrato relativamente desconhecido que Warhol supostamente deu ao editor Richard Ekstract em 1964 em troca de alguns equipamentos de vídeo. O silk-screen feito com tinta de polímeros sintéticos e tela não foi batizada na época de sua criação, embora Simon-Whelan, que vive em Londres, tenha dado o nome de "Negação Dupla", uma referência ao fato de sua autenticação como uma obra verdadeira de Warhol tenha sido rejeitada duas vezes pela comissão.
Após ter passado pelas mãos de várias galerias e proprietários, Simon-Whelan comprou a obra de um curador de arte, Michael Hue-Williams, por US$195 mil em 1989. Segundo o processo, foi autenticada anos antes por Fremont, agente de vendas de Warhol, e Fred Hughes, executor do espólio, que chegou até a escrever em mãos na borda inferior do quadro: "Certifico que esta seja uma pintura original de Andy Warhol, completada pelo artista em 1964".
Quando Simon-Whelan tentou vender a pintura por US$2 milhões em julho de 2001 (os correios haviam acabado de lançar um selo com a obra, o qual assumiu iria aumentar seu valor), a comissão de autenticação anunciou suas dúvidas e carimbou o trabalho como "negado".
Ele enviou a obra para avaliação novamente em 2003 e a mesma foi negada outra vez, embora tenha, nesse meio tempo, obtido uma carta de Paul Morrissey, cineasta e amigo de Andy Warhol, sustentando sua autenticação; uma carta de Billy Name, principal fotógrafo da Factory, estúdio de Warhol em Nova York; e uma transcrição do Andy Warhol Museum em Pittsburgh do próprio Warhol se lembrando sobre a criação da peça.
Em primeiro momento, a comissão se recusou a contar os motivos pelos quais rejeitou sua obra e, segundo o processo, explicou apenas um ano depois quando enviou uma carta se referindo à certas características no fundo como sendo impressas e não pintadas à mão, e falhas na "densidade dos meios-tons". Acrescentando danos artísticos ao insulto, o carimbo de "negado" vazou até a parte de trás da tela, diz o processo, e ficou visível pela frente.
O processo acusa a fundação de restrição de comércio e tentativa de monopolizar o mercado de obras de Warhol "em Nova York, nos EUA e na Europa", e pede por pelo menos US$20 milhões em indenização.
Com a retórica de uma acusação criminal, acusa a fundação de ocultar arquivos do governo, "comunicação clandestina" e fazer "reuniões secretas".
O processo nomeia Fremont como seu principal vilão. Na segunda, disse: "Isto só me dá uma grande dor de cabeça".
- Alan Feuer
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