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Comentário: África: terra de esperança

05/07 - 20:52 - The New York Times

KIGALI, Ruanda – No começo dos anos 90, Ruanda reforçou todos os piores estereótipos da África: miseravelmente pobre, dividido pela guerra e com o aparente destino e um problema internacional para sempre.

Agora ela se tornou a pequena nação que tinha potencial. Ela é limpa, segura, e vive um crescimento econômico que é mais do que duas vezes mais rápido do os EUA ou Europa. E Ruanda enfatiza algo que é fácil de esquecer: existem sinais de uma reviravolta na África, e muitas razões para otimismo.

Essa é minha última coluna de minha jornada do concurso para ganhar uma viagem com um estudante, Leana Wen, e uma professora, Will Okun, e as histórias foram longas sobre tristeza e sofrimento. Mas também há um lado mais alegre na África, e Ruanda reflete o potencial do continente quando há estabilidade e boa governança.

Paul Farmer, o especialista em saúde pública de Harvard conhecido pelo seu trabalho no Haiti, está entre um crescente número de americanos que começaram a trabalhar em Ruanda em parte porque é muito bem administrada.

“A primeira vez que eu fui parado por um policial aqui, eu pensei, ‘ah não! Eu vou ser seqüestrado ou pior?’” disse Farmer. “Eu abaixei a janela, e o policial disse ‘coloque o seu cinto’”.

No começo dos anos 60, grande parte da África era mais rica do que a Ásia e muitos economistas esperavam que o continente avançasse muito mais que a Ásia. Naquela época, o Banco Mundial nomeou um grupo de países africanos que tinham um crescimento projetado em 7% anualmente.

Pelo contrário, a África caiu em um desfiladeiro. De todos esses países com bons dados, um terço agora tem renda per capita mais baixa do que a que tinha na independência (normalmente antes de 1960) e as cinco piores economias do mundo de 1960 a 2001 eram todas africanas.

O que deu errado? As duas razões mais importantes são que a África estava sendo terrivelmente governada e foi despedaçada por guerras.

O problema do conflito nunca foi tão ruim (Darfur resume tudo), mas a governança está ficando muito melhor.

Cada vez mais existem novos líderes como Paul Kagame aqui em Ruanda que são honestos, inteligentes e capazes. Kagame lê Harvard Business Review e é uma versão africana de Lee Kuan Yew, o fundador da Cingapura moderna. Ambos são autoritários, repressivos e esquisitos (Kagame proibiu sacolas de plástico para conter o lixo). Ambos fizeram maravilhas pelos padrões de vida de seus países. E ambos são intensos.

Eu perguntei para Kagame porque os países asiáticos que tinham o mesmo nível de renda da África agora são muito mais ricos. Ele deu uma razão que me impressionou: talvez os asiáticos são hoje mais ambiciosos e trabalham mais.

“Eu sou hesitante em falar sobre cultura, mas eu tenho – e nós temos que trabalhar nisso – nessa cultura de trabalho duro, essa cultura de sermos ambiciosos e querer conquistar”, ele disse, acrescentando: “eu acredito que esses valores existiam nos africanos, mas eu não sei o que os amorteceram – o que os matou”.

Uau. É um sinal absurdo sempre que um líder está disposto a ser auto-crítico, mas na realidade, o trabalho preguiçoso pode ter mais a ver com malária, anemia, vermes e anarquia do que com cultura.

E quando países africanos aproveitaram estabilidade e políticas sadias, eles na maioria das vezes prosperaram. Realmente, o país que mais crescia no mundo entre 1960 e 2001 era Botsuana (Coréia do Sul estava em segundo, Cingapura e China empatavam em terceiro).

Mais e mais países africanos estão seguindo o exemplo de Botsuana de receber investidores e obedecer aos mercados. Fora Ruanda, países como Moçambique, Benin, Libéria, Maurício estão entre aqueles tentando construir um futuro baseado mais em comércio do que em ajuda.

“Nós não vamos dizer ‘não precisamos de ajuda’”, disse Kagame. “Mas não há dúvida que comércio é mais importante do que ajuda. Não há dúvida sobre isso”.

Ruanda está tentando desenvolver exportações de alto valor como suco de romã que podem ser levados de avião para países ocidentais. Uma das melhores formas de ajuda que o Ocidente pode dar seria expandir o programa Ato de Crescimento Africano e Oportunidade, que encoraja importações vindas da África.

Depois de décadas de estagnação, a África agora está crescendo solidamente há vários anos, e esse ano espera-se que a média de crescimento econômico suba de novo, para aproximadamente 6%. Para mim, a África parece como a Índia no começo dos anos 90, quando ela estava reformando sua economia e preparando o cenário para o boom atual.

Então aqui vai uma dica de investimento: compre uma propriedade em Benin ou Ruanda.

- Nicholas D. Kristof

Leia mais sobre: Comentário NYT - África





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