28/06 - 12:02 - The New York Times
O papa Bento 16 assinou um documento permitindo que mais igrejas adotem a antiga missa em latim que caiu amplamente de uso nos anos 60, quando o revolucionário Concílio Vaticano Segundo abriu as portas para missas nas línguas locais, disseram oficiais do Vaticano.
O renascimento da chamada missa tridentina vem sido promovido há tempos pelos tradicionalistas da Igreja Católica, que afirmam ser mais tocante, contemplativa e historicamente autêntica do que a missa moderna.
Porém, Bento 16 já está enfrentando resistência de cardeais e bispos, muitos deles na Europa, que argumentam que a mudança iria dividir a igreja ao promulgar dois ritos oficiais muito diferentes.
Dizem que a mudança criaria conflitos em paróquias menores que não conseguirão concordar sobre qual missa utilizar, e sobrecarregaria membros já bastante sobrecarregados do clero, muitos deles sem conhecimento da língua latina e sem treinamento para executar a coreografia bem mais complexa do antigo ritual.
Na missa tridentina, o padre fica de costas para a congregação e reza, às vezes sussurrando, em latim, uma língua estranha para a maioria dos 1 bilhão de católicos do mundo. Os reformistas do Concílio Vaticano Segundo pretendiam que a missa moderna fosse mais acessível ao permitir que o padre ficasse de frente para a congregação e envolvesse os fiéis em orações e canções, a maioria delas em sua língua nativa, mas incluindo algumas passagens em latim.
Especialistas em catolicismo concordam que o debate não é apenas sobre ritual, mas também sobre o legado do Concílio Vaticano Segundo, que se reuniu entre 1962 e 1965.
Alguns tradicionalistas católicos consideram a introdução da liturgia moderna como o início do que enxergam como a decadência da igreja desde o Concílio Vaticano Segundo, e esperam que a missa tridentina rejuvenesça a fé católica. Liberais da igreja temem que tal questionamento da missa moderna pelo papa poderá levar ao retrocesso de outras reformas do Concílio Vaticano Segundo, como relacionamentos mais abertos com outras religiões.
O bispo Kieran Conry de Arundel e Brighton, na Inglaterra, disse que deu permissão livremente e alegremente para que a missa tridentina seja celebrada em sua diocese, porém se opôs à uma mudança nas regras.
"Pode ser considerada para alguns como um indício de que o próprio Bento 16 não apoie inteiramente as reformas do Concílio Vaticano", disse. "Para muitos, é um símbolo e uma bandeira".
- Laurie Goodstein e Ian Fisher
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