25/06 - 10:18 - The New York Times
Este jornal há tempos pede pela nomeação de um autoritário, energético e mundialmente conhecido enviado de paz no Oriente Médio. A escolha da administração Bush para o cargo, Tony Blair, que desce do cargo de primeiro-ministro britânico nesta semana, possui muitas das qualidades certas - e alguns defeitos preocupantes.
Nossa maior reserva é sua recusa em falar verdades às pessoas no poder - incluindo a si mesmo - mas especialmente à George Bush, que terá que estar disposto a tomar seus próprios riscos políticos e deixar de lado seus preconceitos se quiser mesmo um prospecto realista a curto prazo para a paz no Oriente Médio.
Houveram outras escolhas possíveis mais corajosas - pense em Bill Clinton ou James Baker. Mas se Blair conseguir o cargo, no qual também representaria as Nações Unidas, a União Européia e a Rússia, terá a chance de redimir um legado manchado pelo Iraque e mostrar que não é o cachorrinho de ninguém.
Sua crença na urgência de um acordo de paz justo entre os israelenses e palestinos é clara. Ele conhece a região, e muitos dos líderes com os quais precisará trabalhar. E é bastante capaz de articular uma visão de um futuro melhor se tais líderes superarem o atual ciclo de crises "olho por olho".
Um dos aspectos mais pungentes da tragédia no Oriente Médio é que o modelo de um acordo entre os dois Estados é conhecido por todos os lados há anos: limites baseados nas fronteiras pré-1967, uma solução justa para os refugiados palestinos que respeite a identidade de Israel como Estado judeu e um remapeamento imaginativo de Jerusalém respeitando as linhas sugeridas pelo presidente Clinton em dezembro de 2000.
Desde então, este esboço foi jogado às traças ao passo que a violência se tornou cada vez mais endêmica e atitudes por ambos os lados endureceram. Yasser Arafat e o Hamas merecem muito da culpa, mas as respostas de Israel à suas provocações não foram nada brilhantes. A abdicação de liderença pela administração Bush permitiu que a situação ficasse ainda pior.
Se Blair estiver preparado para falar estas verdades internas à seu bom amigo Bush e insistir em um comprometimento americano mais consistente e imparcial, poderia restaurar um pouco de seu brilho e aumentar as chances de paz.
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