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Grã-Bretanha tenta impedir uso de véu muçulmano

22/06 - 18:31 - The New York Times

LONDRES – Cada vez mais, mulheres muçulmanas na Grã-Bretanha levam seus filhos à escola e vão cobertas da cabeça aos pés em roupas flutuantes e pretas que permitem somente uma fenda para seus olhos.

Como quase nada, sua aparência enervou os britânicos, testando os limites da tolerância nessa nação rigidamente secular. Muitas mulheres com véu dizem serem alvos de abuso. Ao mesmo tempo, empenhos estão aumentando para fazer impedimentos legais ao véu inteiro muçulmano, conhecido como nigab.

No último ano, vimos vários exemplos: uma advogada vestindo um nigab ouviu de um juiz de imigração que ela não podia representar um cliente porque, ele disse, ele não podia ouvi-la. Uma escola disse para a professora voltar para casa. Uma estudante que foi barrada por estar vestindo o traje levou seu caso para o tribunal, e perdeu. Na verdade, as autoridades britânicas de educação estão propondo uma banição geral nas escolas.

Algumas que vestem o nigab, especialmente mulheres jovens, argumentam que é uma expressão frontal da identidade islâmica, que elas adotaram desde o 11 de setembro, como uma forma de rebelião contra as políticas do governo Blair no Iraque e em casa.

“Para mim, não é somente uma roupa, é um ato de fé, é solidariedade”, disse uma jovem de 24 em Londres, que somente deu seu último nome, Al Shaikh, dizendo que queria proteger sua privacidade. “O 11/09 foi uma chamada para os jovens muçulmanos”, ela disse.

Ás vezes ela ouve comentários rudes, incluindo, Shaikh disse, quando uma mulher em seu trabalho disse que ela não tinha o direito de estar lá. Shaikh disse que pretendia fazer uma queixa.

Quando ela está na rua, ela normalmente responde com grosseria. “Há umas semanas uma mulher disse: ‘eu acho que você parece louca’: eu disse: ‘como você se atreve a dizer como as pessoas têm que se vestir’ e saí andando. Ás vezes eu sinto que tenho que responder. O islã te ensina que você tem que defender sua religião”.

Outros muçulmanos acham o nigab repreensível, um passo para trás para um grupo de imigrantes que está sob pressão depois do ataque terrorista ao sistema público de transporte em julho de 2005.

“Depois dos ataques de 7 de julho, essa não é a hora de contrariar a Grã-Bretanha mostrando muçulmanos como algo mal”, disse Imran Ahmad, autor de “Unimagined”, uma autobiografia de sua vida como muçulmano na Grã-Bretanha, e chefe do Muçulmanos Britânicos por uma Democracia Secular. “O véu é tão propenso à submissão, eu acho tão ofensivo que alguém queira criar tais barreiras. É retrogrado”.

- Jane Perlez

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