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Rédeas soltas nos adolescentes podem criar problemas ou empreendimentos

15/06 - 12:39 - The New York Times

Michael S. Dell (da Dell Inc.) vendia selos para colecionadores aos 12 anos, e Bill Gates fundou a Microsoft aos 19. O Facebook, site de relacionamento pessoal, foi criação de Mark Zuckerberg, calouro da Universidade de Harvard na época. Um estudo conduzido pelo Global Entrepreneurship Monitor mostrou que os Estados Unidos eram uma exceção entre os países desenvolvidos ao possuir uma taxa maior de abertura de emrpesas entre pessoas com idades de 18 a 24 anos do que entre 25 a 44 anos.

Mas porque a América produziu tantos jovens e bem-sucedidos empreendedores? Ben Casnocha, 19, autor do novo livro "My Start-Up Life: What a (Very) Young CEO Learned on His Journey Through Silicon Valley", oferece algumas dicas.

Como conta em seu livro, Ben tinha 14 anos quando começou a Comcate Inc., serviço de internet para ajudar governos locais gerenciar serviços ao cliente. Ele convocou inúmeros mentores, muitos deles inicialmente estranhos ou colegas casuais. Algumas pessoas talentosas e ocupadas, provavelmente impressionadas pelo jovem, decidiram apoiar seu empreendimento. Também pediu emprétimos para levantar seu negócio e ajudar a financiar sua versão do sonho americano.

Jovens americanos são tão bem-sucedidos no empreendorismo em partes porque muitas pessoas mais velhas e mais ricas estão dispostas a ajudá-los. O grande sucesso americano na filantropia, então, ordena a fundação do empreendorismo dos EUA. Pelos padrões globais, os americanos podem possuir redes mais livres de amigos e famílias, mas estão mais dispostos a ajudar estranhos, e isto muitas vezes ajuda os negócios.

A cultura americana do marketing forneceu inspiração. Ben Casnocha avaliou seus futuros clientes e perguntou a eles quais serviços precisavam e quanto estavam dispostos a pagar. Também teve que persuadir pessoas a fazer negócios com um adolescente. Ele não possuia educação formal em marketing porém, como um jovem dos subúrbios americanos, foi exposto a intenso marketing comercial todos os dias. Ele decidiu se tornar empresário aos 12 anos de idade, diz, após se deparar com o comercial "Think Different" da Apple. Críticos sustentam que os comerciais corporativos estão emburrecendo a juventude americana. Mas o marketing muitas vezes motiva ou instrui adolescentes. Além disso, pode ensiná-los como pensar sobre marketing de maneira mais crítica.

O fato do sistema educacional americano ser menos disciplinado do que em outros países dá aos jovens criadores o tempo e a energia para realizar atividades fora de sua educação formal. Apesar de seus talentos intelectuais, Ben, em seu livro, admite que recebeu notas indiferentes e pouca ligação emocional com a maioria de sua educação formal. Sempre que podia, usava os dias que faltava para fazer reuniões sobre seu negócio.

A antiga crítica sobre o sistema educacional americano é que mesmo em escolas boas, muitos alunos apenas "aturam" ao invés de se engajarem em um currículo rigoroso. Esta indulgência acadêmica é ruim para a maioria dos estudantes médios, mas também permite que alguns alunos floresçam. Estruturas familiares relativamente soltas possuem efeitos similares; crianças americanas são especialmente tendentes a trabalhar em seus próprios projetos ao invés de ser dirigidas pelos pais ou mais velhos.

Comparadas com crianças de outros países, os jovens americanos desempenham um papel muito mais influente na sociedade e gozam de um notável grau de autonomia. O fast food americano, com seus sabores gordurosos, doces e gostosos, é direcionado para crianças, assim como muitos filmes e programas de televisão. Adolescentes recebem mesadas mais altas, possuem maior acesso à cartões de crédito e têm mais dinheiro para gastar em cultura ou, em alguns casos, na abertura de novas empresas. O mercado de trabalho americano é flexível o suficiente para criar um grande número de empregos no lado mais baixo da escala dos salários. Adolescentes têm mais tendência a adquirir experiência profissional e receber uma pequena quantia de capital para financiar uma empresa.

É um sonho americano comum querer começar seu próprio negócio, e essa influência cultural se espalha aos jovens. Às vezes substitui escola e família como força impulsora. Ben, em um e-mail, citou a abertura da cultura americana. "Se começar um negócio não fosse legal", escreveu, "duvido que muitos adolescentes participariam". Nos Estados Unidos, quase todo mundo gosta de um vencedor. Ben também citou a terceirização, neste caso a possibilidade de comprar programas baratos do exterior, como ajudar a abertura de negócio.

As novas idéias e princípios de negócios por trás da internet esculpiram o território ideal para os jovens. Um iniciante possui mais tendência a ouvir música no computador do que apenas em lojas e rádios, ou sabe que é melhor agendar um vôo sem usar um agente de viagens. Clay Shirky, professor adjunto da Universidade de Nova York, nota que muitos jovens são abençoados com a falta de preconceitos sobre negócios na internet. Anos de experiência são importantes para refinar e melhorar um produto já familiar, como pão. Mas idéias completamente novas e inovadoras - que tipicamente partem dos jovens - foram mais importantes na fundação do Napster e YouTube. A web também torna a face humana dos negócios menos importante e permite que os jovens apresentem seus talentos enquanto escondem sua inexperiência.

É bem sabido que as empresas americanas foram as mais bem-sucedidas em tornar a tecnologia da informação em vantagens de produtividade. Em partes, isto acontece por conta do sucesso americano em mobilizar jovens talentos.

Em 2006, a revista BusinessWeek nomeou Ben como um dos melhores jovens empreendedores americanos, mesmo tendo acabado de entrar na Faculdade Claremont McKenna. Não importa o que Ben fará em seguida, sua história mostra que vantagens econômicas acontecem cedo. Em nível nacional, estes sucessos são enraizados na natureza comercial, competitiva, filantrópica e aberta da sociedade americana.

- Tyler Cowen





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