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Editorial: guardião dos segredos sauditas

14/06 - 10:04 - The New York Times

O primeiro-ministro britânico Tony Blair parece determinado a usar suas semanas finais no cargo para mostrar o quanto se afastou das promessas de um governo limpo que ajudaram a levá-lo ao poder dez anos atrás. Defendendo sua decisão em bloquear uma investigação de corrupção na venda de jatos e outras armas à Arábia Saudita, Blair disse na semana passada que a investigação não levaria a lugar nenhum exceto a completa "destruição" de um relacionamento estratégico vital.

Tal rejeição loquaz ignora o ponto crucial: suborno nunca é justificado, esperto ou legal. Quem diz isso é a Convenção OECD Contra o Suborno de Autoridades Públicas Estrangeiras em Transações de Negócios Internacionais, na qual a Grã-Bretanha possui obrigações legais.

O caso gira em torno de alegações de que a BAE Systems, maior empreitera de defesa do país, pagou subornos para assegurar um acordo de 20 anos para vender jatos Tornado e outras armas à Arábia Saudita. Em dezembro último, Blair interrompeu uma investigação sobre o assunto usando a desculpa da segurança nacional. Os sauditas estavam aparentemente ameaçando acabar com o acordo, assim como a inteligência sobre atividades terroristas.

Então, no início deste mês a BBC e o jornal The Guardian reportaram que ao longo dos anos, a BAE pagou milhões de libras em contas controladas pelo príncipe saudita Bandar bin Sultan, ex-embaixador bastante influente em Washington e conselheiro de política externa ao rei saudita. Bandar e a BAE negaram as acusações.

Talvez nada aconteceu, e talvez os sauditas se apoiaram em Blair somente porque não queriam investigadores britânicos fuçando em suas contas bancárias. A família real saudita considera o reino uma propriedade particular, tornando difícil distinguir entre um pagamento legítimo ao tesouro nacional e um suborno para um dos 200 príncipes reais.

Blair precisa entender, mesmo que os príncipes não entendam, que evitar dificuldades para amigos e aliados poderosos não é uma razão legítima para interromper uma investigação de corrupção. Tudo que faz é aumentar as suspeitas, e enviar a mensagem errada para os outros príncipes ou líderes de governo que acreditam que uma piscadela e um envelope são a única maneira de se conduzir negócios internacionais.

 





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