14/06 - 16:17 - The New York Times
FRONTEIRA RUANDA / BURUNDI - Speciose Kabagwira perdeu outro bebê semana passada. Era o fim de sua 12ª gravidez, e o bebê nasceu morto.
Era a quinta vez que ela perdia um bebê, por nascer morto ou por aborto natural. E dos seus sete filhos que nasceram vivos, quatro morreram.
Em um nível, o que matou os filhos dela e custou suas gravidez foi uma combinação de pobreza e sistema de saúde patético. Mas pensando no histórico está outro dos maiores assassinos da África: conflitos civis e instabilidade.
No começo desse ano, eu fiz um “concurso ganhe uma viagem” para escolher um estudante e um professor para levar comigo em uma viagem jornalística pela África. Agora, eu levei os ganhadores para a região dos Grandes Lagos aqui na África Central em parte porque enfatiza o vasto custo humano quando nós, do Ocidente, permitimos que conflitos aconteçam em partes esquecidas do mundo.
Em nossa viagem de duas semanas, os vencedores – Leana Wen, uma estudante de medicina da Universidade Washington, e Will Okun, uma professora do colegial de Chicago – viajarão comigo por Ruanda, Burundi, e a República Democrática do Congo. Desde que o genocídio da Ruanda começou em 1994, ao menos 5 milhões de pessoas morreram na região dos Grandes Lagos no que ás vezes é chamado de primeira guerra mundial da África. No Congo, as mortes ainda estão se acumulando.
Leana, Will e eu visitamos uma igreja católica na quarta-feira em Nyamata, no sul de Ruanda, onde centenas e centenas de tutsis apavorados foram exterminados em 1994 depois que eles se abrigaram aqui.
O pior são as manchas de sangue em uma parte atrás da igreja. Lá foi onde os atacantes juntaram os bebês e socaram-os contra a parede. Abaixo da igreja está uma cripta com fileiras intermináveis de crânios e outros ossos das vítimas – um monumento à recusa vergonhosa das potências ocidentais de se envolverem em genocídios africanos.
O banho de sangue ruandês terminou rapidamente, e Ruanda agora é pacifica e está prosperando, mas o conflito ainda envolve famílias como a de Kabagwira. Nós a achamos em um acampamento de dois mil ruandeses, todos haviam fugido da violência tribal para a Tanzânia – mas que foram obrigados a voltar por causa de tanzânios furiosos.
Agora Kabagwira está morando em uma cabana temporária, em uma área onde a água não é adequada, o solo é pobre, e o hospital mais próximo está à uma hora de ônibus. Ela diz que ela poderia ter salvado o seu bebê semana passada se ela tivesse ido ao hospital mais cedo, mas ela não podia pagar a tarifa de US$1.20.
E como ajudamos pessoas como Kabagwira? Algumas respostas excelentes são encontradas no melhor livro de relações internacionais desse ano. “The Bottom Billion: Why the Poorest Countries estão em Decadência e o que Pode Ser Feito”, de Paul Collier. Collier, ex-diretor de pesquisas do Banco Mundial, diz que quando os países do G8 falam em ajudar a África, eles se focam demais somente em ajuda internacional. Lógico, essa ajuda tem um papel a cumprir, mas não tem sentido construir clínicas quando grupos rebeldes estão queimando cidades e atirando em médicos.
Um tipo essencial de ajuda que o Ocidente pode fornecer – mas que raramente é discutida – é assistência militar ocidental em esmagar rebeliões, genocídios e guerras civis, ou em proteger bons governos de insurreições. A guerra civil custa, em média, US$64 bilhões, mas poderia ser reprimida em seus estágios iniciais por quantias bem modestas. A intervenção militar britânica em Sierra Leoa acabou facilmente com uma guerra selvagem e foi bem recebida pela população local – e, como investimento financeiro, conquistou benefícios que valeram 30 vezes seu custo.
Josh ruxin, um especialista em saúde pública da Universidade Columbia que mora em Ruanda, reparou que uma modesta força ocidental poderia ter parado o genocídio em 1994 – ou depois, radicado os extremistas hutus que fugiram para o Congo e levaram aquele país para uma guerra civil que custou milhões de vidas.
“Se uma força internacional tivesse vindo e os cercado, essa teria sido a maior medida salvadora de vidas da história moderna”, ele disse.
Então é hora dos países do G8 conceberem uma ajuda internacional mais ampla – não somente construir hospitais e escolas, mas também trabalhar com a União Africana para fornecer segurança em áreas que foram devastadas pela rebelião e guerra. Um ponto inicial seria um empenho sério para enfrentar o genocídio de Darfur – e ao menos uma força internacional para apoiar o Tchade e a República Africana Central, ao invés de permitir que a África entre em sua segunda guerra mundial.
- Nicholas D. Kristof
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