12/06 - 12:42 - The New York Times
WASHINGTON - Advogados iniciaram argumentos na segunda-feira no primeiro de vários casos prova que poderão ajudar a decidir se o governo deverá pagar milhões de dólares aos pais de crianças autistas.
Cerca de 5 mil pais afirmam que vacinações causaram autismo em seus filhos, e muitas de suas queixas estão pendentes há cinco anos. A audiência aconteceu no "tribunal federal de vacinação", instituído pelo Congresso 20 anos atrás quando uma série de sustos com vacinas quase aleijaram a indústria.
Todo grande estudo e organização científica examinando esta questão não descobriu ligações entre vacinas e autismo, porém os pais e seus advogados persistiram. Sua frustração era evidente no discurso de abertura do advogado dos pais, Thomas Powers de Portland, Oregon.
"Inúmeros obstáculos foram colocados no caminho dos peticionários que pedem pela compensação justa e generosa que merecem", disse Powers.
O tribunal de vacinação foi a longas distâncias para convencer os pais que julgará de maneira justa seus pedidos, até mesmo instituindo uma conferência onde os pais podem ouvir as audiências, que durarão cerca de três semanas.
Na abertura da audiência, o juiz George Hastings fez esforços para expressar sua simpatia aos pais das crianças autistas.
Ele falou sobre Michelle Cedillo e seus pais, Theresa e Michael Cedillo, cujo pedido por compensação está sendo usado como primeiro caso prova. Hastings disse que os Cedillos eram "as pessoas mais importantes no tribunal".
Muitos pais que afirmam que as vacinas provocou autismo em seus filhos estão muito desconfiados do que enxergam como o papel do governo na doença dos mesmos. A maioria rejeitou os muitos estudos e equipes patrocinados pelo governo que não descobriram ligações entre vacinação e autismo. Alguns até mesmo ameaçaram fisicamente alguns cientistas do governo.
Na audiência de segunda-feira, advogados argumentaram que as vacinas de sarampo, caxumba e rubéola provocaram em Michelle uma infecção crônica de sarampo que danificou seu sistema nervoso central. Os advogados também disseram que um aditivo bastante comum nas vacinas pediátricas, o thimerosal, danificou seu sistema imunológico, tornando impossível a luta contra a infecção.
O argumento representa uma colcha de retalhos de teorias promovidas por anos, porém o argumento mais comum é que o thimerosal danificou diretamente o cérebro das crianças.
Vincent J. Matanoski, diretor assistente da divisão civil do Departamento de Justiça, abriu com uma declaração breve na qual rejeitava os casos dos pais como "ciência barata".
O thimerosal foi quase que inteiramente removido das vacinas pediátricas em 2001 após alguns cientistas do governo expressarem preocupações sobre a quantidade de mercúrio a qual as crianças que recebiam vacinas rotineiramente seriam expostas. Desde então, as taxas de autismo nos Estados Unidos não mostraram sinais de queda.
- Gardiner Harris
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