04/06 - 16:16 - The New York Times
Algumas semanas atrás, a caminho de uma aparição na Barnes & Noble de Manhattan para promover seu novo álbum, "Release the Stars", Rufus Wainwright decidiu que sua roupa toda preta era um pouco sombria para a ocasião. "Emergência fashion!", disse. Então desceu até a loja de jóias antigas embaixo de seu apartamento e comprou um colar de vidro tcheco da década de 20, que brilhava sobre sua camiseta preta.
Foi uma boa coisa: os fãs de Wainright esperam um pouco de brilho. Cerca de 800 deles vieram, alguns fazendo fila desde o meio-dia para uma aparição às 7 da noite, para vê-lo e conseguir autógrafos. Após isso, tiraram fotos e discutiram sua devoção.
"Aprendi muito sobre quem sou ouvindo sua música", disse um homem.
Será que Rufus Wainwright sabe que é fabuloso?
"Sinto que vivo uma vida fabulosa", disse comendo bolinhos japoneses em uma casa de chá próxima a casa que divide com seu novo namorado, Joern Weisbrodt, administrador de arte. "E sei que é por isso que muitos críticos ficam tão bravos comigo às vezes, é muita inveja".
Deve estar esperando um massacre, pois Wainwright, 33, cantor, compositor e amante de diamantes falsos, vem sendo super fabuloso ultimamente. Sua recriação do show de 1961 de Judy Garland no Carnegie Hall recebeu elogios e respeito, além de uma comissão do Metropolitan Opera. "Release the Stars" virou imediatamente um best seller na Inglaterra quando foi lançado no mês passado e vem fazendo bastante sucesso com a crítica americana. Rufus fez cinco shows esgotados no Old Vic em Londres, e na terça começará uma maratona de quatro noites no Teatro Blender no Gramercy em Manhattan.
Em Nova York, se encontra no meio de uma blitz de publicidade - e moda: na noite após a Barnes & Noble apareceu no "Late Show With David Letterman" vestindo calças de couro que mandou fazer especialmente na Áustria por um artesão em sua 25ª geração, que também vestia a família Porsche.
Porém a vida glam também possui obstáculos. Ao assistir o programa com alguns amigos em um salão particular do moderno Hotel on Rivington, Wainwright teve uma epifania: "Só tem comerciais. É horrível ver quantos comerciais passam e como eles estragam a experiência toda.
Porém, foi rápido ao acrescentar: "Mesmo assim, eu amaria aparecer na 'Oprah' e, você sabe, que eles visitassem minha casa ou algo do tipo".
Parâmetros sempre foram uma questão trapaceira para Wainwright. Embora refira-se a si mesmo casualmente como um superstar - e um tom algumas notas abaixo da ironia - seus últimos álbum foram sucessos cult. Nos EUA, "Release the Stars", que estreou na 23ª posição nas paradas Billboard com um pouco mais de 24 mil cópias vendidas, foi seu maior ranking; em contraste, o novo álbum de outro favorito indie, Wilco, chegou ao 4º lugar nesta semana. E foi só recentemente que se tornou muito conhecido para manter um profile em um site gay de relacionamentos (os administradores tiraram do ar, achando que era falso).
Nos Estados Unidos e Inglaterra, sua audiência mais fiel é composta por homens gays, adolescentes e mulheres, especialmente mães e filhas (vários pares apareceram na Barnes & Noble). "Há um pouco de tristeza em sua devoção", disse. "Tem relação com a alienação que proporciono. Então me sinto um pouco subversivo, o que é bom".
Para promover esta iniciativa, "Release the Stars" tinha intuito de possuir uma pegada underground, gravado no Brooklyn e um desvio em Berlim para "ficar totalmente electroclash, fazer um corte de cabelo esquisito e voltar à usar drogas", disse Wainwright. Ao invés disso, quando chegou à Alemanha, "uma onda de romantismo, grandiosidade e cultura de luxo me pegaram de jeito".
Seus críticos - os invejosos - poderão sugerir que ele sempre foi atraído pela ostentação, então Wainwright convocou Neil Tennant dos Pet Shop Boys para tomar as rédeas. Funcionou, mais ou menos. "É interessante ver como Wainwright introduz 'Release the Stars' com emoções honestas o suficiente para superar a grandiosidade, ou ao menos suavizá-la um pouco", escreveu o crítico do The New York Times Nate Chinen.
Wainwright gostaria de fazer um álbum solo de piano, e vários com sua família musical. (Seus pais são os folkies Kate McGarrigle e Loudon Wainwright III; suas irmãs, Martha Wainwright e Lucy Wainwright Roche constantemente se juntam a ele nas turnês). Porém ele fala com mais animação - e mais constantemente - sobre sua ópera, a história de um dia (fabuloso) na vida de uma diva.
"Realmente acredito que a ópera é uma linguagem", disse. "Acredito que seja um outro paralelo, um mundo separado onde todas aquelas personagens existem. E uma vez que um compositor de ópera entende isto ou descobre quem estas pessoas são, assim como eu e a personagem sobre a qual escrevo atualmente, sua missão é dar vida a este outro ser".
Portanto, Wainwright não corre perigo algum de desinchar. O que faria sua vida ainda mais fabulosa? "Adoraria tocar no Madison Square Garden", disse, "e ser perseguido e perder todo o senso de dignidade".
- Melena Ryzik
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