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Editorial: apoiando o general

23/05 - 10:12 - The New York Times

Parece que quanto mais impopular se torna o ditador militar paquistanês, o general Pervez Musharraf, fica em seu país e quanto menos disposto a lutar contra o Taleban se torna, mais a administração Bush depende dele.

Washington está com medo, e com razão, que o próximo líder do nuclearmente armado Paquistão poderia ser ainda pior. A resposta não é aguardar enquanto o general aumenta sua repressão. Isto só alimenta as paixões fundamentalistas e anti-americanas que Washington tanto teme.

Ao invés de apoioar o general, Washington deveria usar a vantagem que recebe de quase US$2 bilhões em ajuda para encorajar um retorno da liderança democrática.

Desde 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos vêm pagando cerca de metade desta quantia anualmente para reembolsar o exército paquistanês por combater as forças do Taleban e al-Qaeda na fronteira do Afeganistão. Oito meses atrás, Musharraf cortou radicalmente tais esforços, porém os altos pagamentos americanos continuaram. A redução de tais patrulhas torna mais fácil para o Taleban e al-Qaeda matar tropas americanas e da OTAN. O Congresso deverá insistir que pagamentos futuros sejam ligados à atividades anti-terrorismo e resultados concretos, como recomendado por algumas autoridades americanas.

O apoio sem critério de Washington também reinforçou a arrogância e isolamento do general, peças-chave de seus problemas políticos. Em março, ele suspendeu arbitrariamente o independente chefe do tribunal superior paquistanês, causando protestos que continuam desde então. A suspensão aconteceu enquanto o tribunal se preparava para ouvir desafios aos esquemas do general para se manter no poder - como comandante do exército e presidente - com sua candidatura presidencial ratificada pelo atual e submisso parlamento, não o novo que será eleito no final deste ano. 

Membros do partido do general imploram para que ceda. Alguns até pedem que abra as eleições para outros candidatos sérios, incluindo dois ex-primeiros-ministros, Benazir Bhutto e Nawaz Sharif, atualmente vivendo no exílio. Ambos governos foram bastante manchados pela corrupção.

Mas não há como existir um retorno significativo à democracia sem a livre participação dos dois líderes políticos mais populares do Paquistão. Musharraf está resistindo aos bons conselhos, mas poderia mudar de opinião se Washington acrescentasse sua voz ao pedido por eleições livres.

Uma sucessão de ditadores mal-informados vêm desgovernando o Paquistão por mais da metade de sua história. Todos fizeram uma falsa publicidade como grandes amigos de Washington, porém descambaram para o extremismo enquanto descreditaram a reputação americana entre os paquistaneses comuns. Não há segurança com Musharraf. Os EUA pertencem ao lado da democracia paquistanesa. 





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