18/05 - 21:49 - The New York Times
Pelo que eu sei, pode ter um estoque infinito de seqüências de “Shrek” a caminho. Afinal, a pele daquele ogro da Dreamworks é da cor do dinheiro. Mas há um sentimento de final em “Shrek o Terceiro”, um sentimento que o conto atingiu um estado de finalização. No primeiro filme, Shrek conheceu e cortejou sua amada Fiona; no segundo ele conheceu os sogros. Nessa continuação, ele se depara com a paternidade e algo parecido com uma crise profissional. Ele irá assumir os negócios de seu sogro ou permanecerá fiel à sua vocação de gritar e esmagar coisas?
A não ser que o time Shrek queira seguir seu herói nos pântanos perigosos da meia-idade, embora mudar seu pedigree literário para longe de William Steig e na direção de John Updike ou Philip Roth, ele pode deixá-lo na condição de mais ou menos feliz para sempre. O que se pode dizer de “Shrek o Terceiro”, dirigido por Chris Miller e Raman Hui, já se parece menos com um filme para crianças do que seus anteriores. (Talvez seja por isso que eu gostei desse mais do que os outros. Mas de qualquer jeito, meus filhos também).
Não que haja qualquer coisa inapropriada – sem fumar ou falar palavrão e somente tem sexo implícito na gravidez de Fiona e a ninhada Burro-Dragão – mas o humor cheio de vida e drama ruma em direções mais adultas. A ansiedade de Shrek, a reação não tão de felicidade ao descobrir que vai ser pai não é algo que os mais jovens vão entender. (Em uma seqüência brilhante, ele tem um pesadelo de ser perseguido por bebês ogros de olhos grandes). E a descrição da Cinderela, Rapunzel, e Branca de neve como mães entediadas e traiçoeiras provavelmente irá fazer cócegas nos fãs de “Little Children”, um grupo que eu espero que não inclua nenhuma criança pequena de verdade.
Ajuda que animação parece melhor do que nunca. Prática, junto com avanços na tecnologia, tornou os rostos das personagens mais expressivos e seus movimentos mais graciosos. A franqueza da morte do pai de Fiona, um sapo real com a voz de John Cleese é um exagero de emoção e comédia vulgar, e também tem umas árvores bravas que fazem justiça à tradição das árvores bravas. Outro ponto alto é quando o Gato de Botas fica molhado.
E na história há muitas vozes de celebridade e músicas violentas pop. A morte do rei deixa Shrek relutante à herdar o trono, e o ogro viaja para achar um substituto para Artie. Enquanto isso, o infeliz Príncipe Encantado, exilado em uma carreira de jantar com teatro, organiza uma rebelião de vilões de contos de fada. "Shrek," "Shrek 2" e "Shrek o Terceiro", em contraste, são simples, agitados e divertidos sem serem eletrizantes ou complexos. A tranqüilidade maliciosa faz com que os inevitáveis lapsos de moralismo sentimental sejam mais deslumbrantes. Nesse filme, você ouve alguns discursos sobre como é importante não se importar com o que as pessoas pensam de você, e para ser você mesmo acima de tudo. Sim, tudo bem. Isso não me atinge como necessariamente um bom conselho, e de qualquer maneira, as crianças de hoje não precisam de lições de vida de um ogro. Mas mais uma vez, as crianças não são aquelas que se identificam com Shrek enquanto ele faz barulhos nervosos no ciclo da vida.
NOTAS DE PRODUÇÃO: “Shrek o Terceiro” Dirigido por Chris Miller; Raman Hui, co-diretor; escrito por Jeffrey Price, Peter S. Seaman, Miller e Aron Warner, baseado em uma história de Andrew Adamson e no livro de William Steig; editado por Michael Andrews; música de Harry Gregson-Williams; designer de produção Guillaume Aretos; produzido pela Warner; lançado pela DreamWorks Animation SKG e Paramount Pictures. Tempo de duração: 93 minutes. Com as vozes de: Mike Myers (Shrek), Eddie Murphy (Burro), Cameron Diaz (Princesa Fiona), Antonio Banderas (Gato de Botas), Julie Andrews (Rainha), John Cleese (Rei), Rupert Everett (Princípe Encantado), Eric Idle (Merlin), Justin Timberlake (Artie), Amy Sedaris (Cinderela), Maya Rudolph (Rapunzel), Amy Poehler (Branca de Neve), Larry King (Doris) e Regis Philbin (Mabel). A.O. Scott
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