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Opiniões nada amigáveis em canal de televisão árabe financiado pelos EUA

17/05 - 11:19 - The New York Times

WASHINGTON - Durante uma audiência congressional na quarta-feira sobre as iniciativas americanas em ganhar apoio popular no mundo árabe, o representante democrata de Nova York, Gary Ackerman, saiu dos trilhos.

Ackerman estava no meio de representantes do canal de televisão do Oriente Médio Al Hurra para a trasmissão das opiniões de líderes dos grupos militantes islâmicos Hamas e Hezbollah. Mas quando um executivo da Al Hurra mencionou em defesa do canal que transmite versões ao vivo e sem cortes dos discursos do presidente Bush, Ackerman interrompeu.

"Vocês transmitem o presidente Bush ao vivo?", perguntou. Então, duvidando, disse: "Esperando que achemos isto benéfico para a missão"?

Houveram risadas na sala de reunião, mas a troca enfatizou o dilema central que cerca as iniciativas públicas de diplomacia americana.

Nas últimas semanas, tanto republicanos conservadores quanto democratas liberais vêm atacando a Al Hurra por, nas palavras do editorial do The Wall Street Journal da semana passada, fornecer "cobertura amigável de extremistas exibidos da al-Qaeda, Hamas e outros grupos terroristas".

Em especial, críticos do canal, fundado em 2003 como concorrente de língua árabe financiado pelos EUA da Al Jazzeera, estão irritados pelo fato da rede ter transmitido um discurso de 30 minutos do líder do Hezbollah, Sheik Hassan Nasrallah, em dezembro.

Ackerman também reclamou durante a audiência que a rede deu cobertura extensiva à conferência do Irã em dezembro, onde o país negava o Holocausto e, mais recentemente, mostrou Ismail Haniya, primeiro-ministro palestino e um líder do Hamas discutindo o novo governo de união da Palestina.

"Como permitem que os terroristas dominem o canal? Não há supervisão", perguntou Ackerman.

O Departamento de Estado devotou muitos recursos à diplomacia pública, incluindo levar estudantes muçulmanos à Copa do Mundo da Alemanha, servir de anfitrião para jornalistas árabes em seminários de treinamento em Washington e despachar a subsecretária de diplomacia pública, Karen Hughes, para falar com mulheres muçulmanas pelo mundo. Mas tais iniciativas fizeram pouco para combater a raiva entre os árabes sobre a ocupação americana no Iraque e a prisão de Guantánamo.

Por décadas, os EUA forneceram fundos para estações de rádio e televisão dedicadas a promover valores e visões americanas. A Al Hurra deveria seguir tal tradição, mas seus executivos admitiram na quarta-feira que nenhum deles fala árabe.

"Como vocês sabem que estão sendo verdadeiros à missão se não entendem o que é dito?", reclamou Ackerman.
 
Joaquin F. Blaya, um dos executivos da Al Hurra, declarou que autoridades do canal sempre perguntam à equipe de língua árabe sobre o que vai ao ar.

- Helene Cooper





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