03/05 - 15:39 - The New York Times
SÃO FRANCISCO - Há uma revolta aberta na rede.
Usuários sofisticados de internet se juntaram nos últimos dois dias para publicar e distribuir amplamente um código secreto usado pelas indústrias cinematográfica e de tecnologia para prevenir a pirataria de filmes em alta definição.
A distribuição ampla do código pode não posar uma ameaça séria aos estúdios, já que requer alguma experiência técnica e softwares especializados para burlar a proteção anti-cópias nos discos Blu-ray e HD DVD. Porém sua incansável difusão já se tornou uma lição sobre o poder das massas na internet e a futilidade da censura no mundo digital.
Uma desordem online chegou em resposta à uma série de cartas parem-e-desistam de advogados para um grupo de empresas que usam o sistema de proteção contra cópias, exigindo que o código fosse removido de vários websites.
Ao invés de apagar o código - uma série de 32 dígitos e letras no sistema hexadecimal - as advertências legais estimularam sua proliferação em websites, salas de bate-papo, camuflados dentro de fotos digitais e em sites de notícias feito por internautas como Digg.com.
"É um exemplo perfeito de como o envolvimento de advogados pode transformar uma historinha em algo enorme", disse Fred von Lohmann, advogado da equipe do Electronic Frontier Foundation, um grupo de direitos digitais. "Agora que começaram a mandar cartas ameaçadoras, a internet transformou o número na mais nova celebridade. Agora possui garantia de fama eterna".
O número está sendo santificado de algumas maneiras bastante criativas. Keith Burgon, músico de 24 anos de Goldens Bridge, NY, pegou seu violão na terça-feira e improvisou uma melodia enquanto cantava o código. Postou a música no YouTube, onde foi visualizada mais de 45 mil vezes.
"Achei uma fonte de comédia o fato de tentarem tão futilmente reprimir a propagação deste número", disse Burgon. "A ironia é que se tornou o número mais famoso na internet só porque tentaram abafar o caso".
Mensagens deixadas para tais advogados e a organização comercial que representam, o Advanced Access Content System Licensing Administrator, que controla o sistema de criptografia conhecido como AACS, não foram respondidas. Em um e-mail, um representante do grupo disse apenas que "está avaliando o problema e não fará comentários no momento".
A organização é apoiada por empresas de teconologia como IBM, Intel, Microsoft e Sony e estúdios cinematográficos como Disney e Warner Brothers, propriedade da Time Warner.
O conflito vazou na Wikipédia, onde adminustradores tiveram que restringir a edição em alguns artigos para evitar que seus contribuidores postassem repetidamente o código.
- Brad Stone
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