02/05 - 12:33 - The New York Times
O Estado da Virgínia afirma que fechou uma brecha que permitiu armas nas mãos de um estudante deseqüilibrado que matou 32 pessoas na Universidade Virginia Tech. Mas sempre há a próxima abertura para nos preocuparmos quando o assunto é a falta de controle sobre as armas neste país.
Neste caso, o governador Tim Kaine emitiu uma ordem executiva na segunda-feira que, teoricamente, impediria Seung-Hui Cho de comprar as armas usadas em seu massacre no campus. Meses antes, Cho foi forçado por um juiz a submeter-se a tratamento psicológico. Porém, como não foi hospitalizado, Cho não entrou na lista federal de pessoas banidas de comprar armas por motivos de doenças mentais. A ordem do governador acaba com a distinção entre pacientes internados e não-internados, mas dificilmente resolve o problema de leis extremamente porosas que permitem milhares de mortes por armas de fogo ao ano.
O fato é que Cho, ou qualquer outro habitante do Estado da Virgínia rejeitado pela lei de doenças mentais, poderia facilmente satisfazer suas necessidades ao recorrer às legiões de colecionadores "particulares" que vendem suas mercadorias em feiras de armas nos finais de semana, sem qualquer exigência legal ou checagem de antecedentes criminais. É assim tão fácil e tão hipócrita. O lobby armamentista, com suas generosas contribuições de campanhas, opera como aberturas poderosas, e poucos políticos de qualquer partido têm coragem de enfrentá-lo.
Em Washington, o Congresso democrata se juntou à administração em seu retiro silencioso. Uma audiência após o massacre de Virginia Tech concentrou-se cuidadosamente na necessidade de conselheiros de saúde mental nos campi - certamente, não controles de armas mais sãos. Com abertura ou não, a lei federal citada na tragédia da Virgínia é meramente voluntária, e 28 governos, impregnados de políticas de lobbys armamentistas, se recusaram veementemente a participar.
O remédio mais forte que o Congresso ousa arriscar nesta sessão tentaria atrair a cooperação dos Estados com incentivos financeiros. O país ficaria melhor se os políticos se preocupassem menos sobre o dinheiro do lobby armamentista e mais sobre a segurança dos americanos.
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