26/04 - 09:16 - The New York Times
Por agora, a lógica é quase automática. Um atirador tira vidas inocentes, e alguém diz que se as vítimas estivessem armadas, isto não aconteceria. A única solução para uma arma nas mãos erradas, ao que parece, é uma arma nas mãos de todos.
Este é o estado do debate sobre controle de armas hoje em dia. A Associação Nacional de Armas e o lobby armamentista silenciaram todas as legislaturas neste país. Ao invés de leis mais severas, controles mais rígidos e melhores investigações de antecedentes, o lobby armamentista propõe mais armas. E o que o lobby armamentista propõe, legisladores obedecem.
Seung-Hui Cho comprou suas armas ilegalmente, apesar da aparência de legalidade. Ele passou despercebido por meio de uma abetura, por meio de uma falta de conexão entre a definição de incapacidade mental desqualificadora feita pelo Estado da Virgínia e o governo federal. Após o fato, tal abertura é bastante evidente, e é tentador acreditar que agora líderes políticos trabalharão mais para evitar que pessoas que são perigosas à si mesmas se tornem perigosas aos outros ao comprar armas. Porém as leis são frágeis do jeito que são porque o lobby armamentista as querem assim - e paga bastante dinheiro para que permaneçam desta maneira.
Tais defensores das armas que acreditam que a Segunda Emenda confere o direito de carregar uma arma em públicos são rápidos em declarar que são cidadãos decentes e cumpridores da lei, tentando proteger a si mesmos e suas famílias deste mundo louco. Mas, obviamente, as armas não sabem diferenciar. Armar mais pessoas seria uma receita para o desastre.
A segurança verdadeira depende da civilidade da sociedade, de leis que protejam publicamente todos os nossos direitos e de policiais bem treinados no uso de força letal, para então ser autorizados à aplicá-la em situações racionalmente definidas. São os esforços incessantes do lobby armamentista para enfraquecer as leis de armas que tornam possíveis tragédias como a ocorrida na Universidade Virginia Tech.
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