20/04 - 16:18 - The New York Times
BLACKSBURG, Virginia – Mais do que ninguém no campus da Virginia Tech, eram os professores e estudantes do departamento de Inglês que sabiam da perturbação mental de Cho Seng-Hui.
Enquanto a polícia da Virginia Tech só ouviu relatórios confusos de seu comportamento molestador, e profissionais de saúde mental sabiam de suas tendências suicidas, era o departamento de inglês, onde ele estudava – que lia seus textos e via as imagens de perseguição, vingança e raiva revelada, muitos meses antes de ele surtar com violência na segunda-feira e matar 33 pessoas, incluindo ele mesmo.E esses professores e estudantes de inglês parecem ter trabalhado mais do que qualquer um para intervir em sua vida. Tentando balancear a liberdade necessária para ser criativo contra os sinais de advertência de psicose, pelo menos oito de seus professores nos últimos 18 meses formaram o que eles chamaram de “força-tarefa” para discutir como lidar com ele, se unindo duas vezes com Cho e freqüentemente se comunicando.
Em ao menos duas ocasiões, eles falaram com oficiais da universidade, dizendo, em setembro de 2006, que Cho era problemático. Nenhuma ação foi tomada pelos administradores da escola.
Os estudantes expressaram seus medos, alguns até se recusando a freqüentar a aula se Cho estivesse lá.
Outros tentaram se comunicar com ele. Ross Alameddine sentou perto de Cho na aula de literature e filmes contemporâneos de terror. Alameddine, segundo colegas de classe, tentou falar com Cho em várias ocasiões, tentando tirá-lo de seu mundo fechado e de sua recusa a falar com outros estudantes. Na segunda-feira, Cho matou Alameddine.
“Tivemos uma grande discussão sobre assassinos em série”, disse uma estudante na classe, que pediu que seu nome não fosse mencionado. Cho nunca falou durante a discussão, ela disse, mas ele fez anotações.
Em entrevistas, seis membros do departamento de Inglês que eram professores de Cho ou tinham contato próximo com ele disseram que em dezembro de 2005 e em setembro de 2006, eles lutaram para definir a linha entre um trabalho legítimo de auto-expressão e um de imagens violentas ou doentes que precisavam ser contidas.
“Ás vezes, na redação criativa, as pessoas revelam coisas e você nunca sabe se é criatividade ou se eles estão descrevendo, imaginando ou o quão real pode ser”, disse a professora Carolyn Rude, presidente do departamento de Inglês. “Mas estamos todos atentos para não ignorar coisas como essa”.
Marc Santora e Christine Hauser
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