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Editorial: o silêncio dos políticos

19/04 - 10:02 - The New York Times

Existem muitas questões sobre a tragédia da Virigina Tech. Uma delas é saber como um estudante tão gravemente perturbado como este atirador conseguiu elevar as preocupações das autoridades mais de um ano atrás e ainda assim prosseguir com seu plano e tirar 32 vidas sem impedimento algum. Mas não menos pertinente é a questão de como, após rastramento detalhado das armas adquiridas para o massacre, a outorga de poder de um indivíduo tão desequilibrado pode, de certo modo, ser pronunciada inteiramente legal sob as leis de uma nação civilizada.

Mas certamente parece legal.

As armas compradas por Cho Seung-Hui foram rastradas por meio do laissez-faire do comércio de armas da Virgínia e descobriu-se ter sido obtidas de maneira legítima. Portanto, caso encerrado. Pelo menos de acordo com a maioria da liderança política do país, submergindo tão persistentemente na questão sobre se algo sério poderá ser feito, ou pelo menos proposto, nesta situação tão pavorosa. As vítimas da Virigina Tech representam a mera décima parte de 1% das 30 mil mortes por armas de fogo ao ano.

Mesmo assim, a implícita e triste lição para a nação é que além dos pedidos comuns de orações e fechamento, não existe um senso nos dias de hoje para um político, especialmente um político candidato à presidência, entrar no negócio arriscado de tocar no assunto do problema das armas.

Ninguém que observou as últimas tragédias nas manchetes envolvendo armas - o massacre de Columbine e os assassinatos do franco-atirador de Washington DC - pode ficar surpreso ao ver os líderes políticos desviando das obrigações de propor respostas, ou pelo menos discutir de maneira aberta o infeliz status quo da violência armada.

Após os dois massacres, curas possíveis foram propostas. Mas nenhuma foi aprovada já que o lobby das armas mostrou seu poder em Washington. O máximo que aconteceu foram atrasos na aprovação de uma proposta chocante, assinada mais tarde pelo presidente Bush, que negava audaciosamente as vítimas de armas de fogo e tirava das cidades o direito de processar a indústria armamentícia por negligência.

Os políticos deveriam pelo menos ter a coragem de dizer à nação que o retrocesso é o estado de controle de armas na América. Porém a nova maioria democrata no Congresso é um estudo em segredo, e seus líderes obviamente estão cautelosos sobre a advertência - expedida por Terry McAuliffe, ex-presidente do partido e chefe da campanha presidencial da senadora Hillary Clinton - de evitar o assunto ao máximo. A questão da campanha de 2008 é saber se os grandes candidatos terão a audácia de falar sobre a Virginia Tech como algo além de um evento triste.

 





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