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Intervalo entre tiroteios é raro, porém com precedentes

18/04 - 15:36 - The New York Times

O grande intervalo entre o primeiro e o segundo round de assassinatos na Virginia Tech na segunda-feira - assumindo se tratar do trabalho de um único atirador - coloca o mesmo em um grupo de pequena minoria entre assassinos em massa.

Em um banco de dados de assassinatos que data de mais de 100 anos, o dr. Michael Stone, especialista em distúrbios de personalidade e assassinos, disse ter descoberto apenas alguns atrasos aparentes em mais de 40 tiroteios violentos em escritórios, escolas e universidades.

Vários especialistas declararam na terça-feira que a espera de quase três horas entre os tiroteios pode ter sido uma questão de nervos, ou necessidade prática. O atirador pode ter se escondido ou abandonado um plano por outro, para efeito máximo. 

A polícia identificou o atirador no segundo round de tiroteios como Cho Seung-Hui, estudante de 23 anos que se movimentou sistematicamente pelo prédio do Departamento de Engenharia, aparentemente atirando a esmo contra alunos e professores.

Autoridades policiais reportaram na terça-feira que armas encontradas com Cho, uma das quais foi usada nos primeiros assassinatos, tinham seus números de série raspados, sugerindo que o assassino possuía dois planos, não apenas um, disse Roger Depue, ex-chefe da unidade de ciência comportamental do FBI e fundador do  Academy Group Inc., de Manassas, Virgínia, que fornece aconselhamento de segurança para empresas e escolas.

Os detalhes que emergiram da tragédia de segunda-feira retratam o atirador como um descontente genérico. Segundo relatos, o atirador deixou uma nota com uma lista de reclamações contra "charlatões" e "meninos ricos" no campus. Estava bravo com uma ex-namorada, sugeriram alguns colegas. E, inevitavelmente, era descrito como "problemático" e "solitário".

Cho não quebra o molde dos assassinos em massa. Uma análise feita no ano 2000 em 102 assassinatos deste tipo conduzida pelo The New York Times descobriu que a maioria é perpetrada durante o dia, por homens brancos e bem educados. Sete dos 102 assassinos eram asiáticos. Cerca de um terço dos assassinos se suicidaram, assim como Cho. 

Muitos outros morreram durante trocas de tiros com a polícia, um tipo de suicídio provocado, disse Stone. Para ambos os grupos, o massacre deve ser fundalmentamente uma missão suicida, segundo alguns especialistas.

Apesar das descrições familiares na Virginia Tech e outros assassinatos em massa recentes - por "solitários problemáticos" com uma lista de reclamações - não existe um perfil exato do assassino em massa em potencial.

"Tentar desenvolver um catálogo ou lista de sinais de alerta para detectar um assassino escolar pode ser bastante limitado, até mesmo perigoso", advertiu um relatório compilado pelo FBI após o massacre de Columbine, já que uma vez publicadas, tais listas "podem acabar rotulando de maneira errada muitos estudantes não-violentos como potencialmente perigosos ou até mesmo letais".

- Benedict Carey





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