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Quase humanos, e às vezes mais inteligentes

17/04 - 11:53 - The New York Times

CHICAGO - Observados em seu habitat natural e testados em cativeiro, os chimpanzés convidam comparações aos humanos, seus parentes mais próximos. Os animais possuem uma semelhança familiar aos humanos que fascina as pessoas, e cientistas enxergam cada vez mais evidências de similaridades no comportamento e habilidades dos chimpanzés, fazendo com que alguns reflitam sobre as excentricidades do processo evolutivo.

Por algum tempo, paleontólogos e biólogos evolutivos souberam que os ancestrais dos chimpanzés eram a última linha dos símios atuais a divergir da ramificação que levou aos humanos, provavelmente 6 milhões, talvez 4 milhões de anos atrás. Examinações mais recentes mostraram que apesar das profundas diferenças entre as duas espécies, uma diferença de apenas 1,23% em seus genes separam o Homo sapiens dos chimpanzés, Pan trogloditas.

E algumas semelhanças entre as duas espécies, dizem os cientistas, vão além de rostos expressivos e polegares opositores.

Os chimpanzés apresentam um alcance extraordinário de comportamento e talento. Fabricam e utilizam ferramentas simples, caçam em grupos e se engajam em atos agressivos e violentos. São criaturas sociais que parecem capazes de sentir empatia, altruísmo, auto-consciência, cooperação na resolução de problemas e aprendizado por meio de exemplos e experiências. Os chimpanzés chegam até a superar humanos em algumas tarefas de memória. 

Durante um simpósio em março, "A mente do chimpanzé", no zoológico do Lincoln Park aqui na cidade, mais de 300 primatologistas e outros cientistas revisaram conhecimento acumulado das habilidades cognitivas dos chimpanzés.

Frans de Waal da Universidade de Emory disse em estudos próprios descobrir que os chimpanzés, como animais sociais, tiveram que restringir e alterar seu comportamento de várias maneiras, assim como os humanos. Faz parte da herança dos símios, disse, e no caso dos humanos, a base da moralidade. 

Outros relatórios feitos um pouco antes do simpósio elaboraram sobre as habilidades dos chimpanzés como fabricantes de ferramentas. Jill Pruetz, primatologista da Universidade Estadual do Iowa, descreveu 22 exemplos de chimpanzés no Senegal que faziam pontas de lanças para caçar primatas menores.

Tetsuro Matsuzawa, primatologista da Universidade de Kyoto no Japão, descreveu um chimpanzé jovem assistindo números de 1 a 9 em uma tela de computador em posições aleatórias. Então, os números desapareceram em não mais de um segundo. Quadrados brancos permaneceram onde os números estavam. O chimpanzé, naturalmente mas rapidamente, apertou os quadrados, mostrando novamente os números em ordem ascendente - 1, 2, 3, etc.

O teste foi repetido várias vezes, com os números e quadrados em locais diferentes. O chimpanzé, que passou por meses de treinamento acompanhado por recompensas de comida, quase nunca falhou em lembrar a posição dos números. O vídeo incluiu cenas de um ser humano falhando no teste, e muitos lembrando mais de um ou dois números, se algum.

"Humanos não conseguem", disse Matsuzawa. "Chimpanzés são superiores aos humanos nesta tarefa".

Matsusawa sugeriu que espécies anteriores de seres humanos "perderam a memória imediata e, em troca, aprenderam o simbolismo e os conhecimentos de linguagem".

- John Noble Wilford





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