10/04 - 20:22 - The New York Times
A Organização das Nações Unidas. Entre populares pensadores políticos americanos, essas três palavras conseguem reações que passam da profunda antipatia para menos profunda antipatia. Tudo bem, eu estou exagerando o caso. Muitos liberais irão até o fim da profunda ambivalência, e alguns se aventuram mais longe.
Mesmo assim, até mesmo os defensores da instituição parecem não conseguir começar uma defesa sem se desculpar e recitar ritualmente suas falhas estruturais.
Hoje, eu serei diferente, guardando a recitação das falhas por último. Primeiro, vamos celebrar uma façanha que não é tão conhecida. Durante uma fase crucial da história – a execução da guerra no Iraque – a ONU teve um desempenho perfeito e mostrou adaptabilidade promissora.
No começo de 2003, alguns fãs linha-dura do multilateralismo perguntaram por que a América estava iniciando uma guerra unilateral. Uma resposta comum foi que o corpo multilateral que apoiava a América, o Conselho de Segurança da ONU, não votaria em autorizar a guerra, então o presidente Bush tinha que prosseguir sem ela. Culpe o ”congestionamento” do Conselho de Segurança.
Agora que sabemos o que aconteceu na guerra, é tentador ridicularizar essa lógica comparando Bush a um motorista que passa no farol vermelho, mata um pedestre e coloca a culpa a tragédia na vermelhidão do farol.
Mas isso seria uma ridicularização barata. Vamos conquistar o ridículo com uma análise elaborada.
Um corpo imposto e sagrado que autoriza coisas – o Conselho de Segurança, o Congresso, comitês de regiões – ás vezes não é para autorizar as coisas. (Imagine um mundo onde tudo é autorizado!). As pessoas que querem algo autorizado ás vezes chamam a falha para autorizar de “congestionamento”. As pessoas que não querem autorização preferem dizer que “o sistema funcionou” e se referem às pessoas que reclamam do congestionamento de “chorões”. Quem está certo?
Congestionamento realmente disfuncional acontece quando um corpo fracassa em tomar atitudes designadas a ele. Sob a Cartilha da ONU, o Conselho de Segurança pode autorizar uma intervenção armada quando uma nação ataca a outra. Se, digamos, o Iraque invade o Kuwait, o Conselho de Segurança autorizaria uma guerra de reação à agressão. Ela passou no teste em 1990.
Mas em 2003, o Iraque não havia invadido nenhum lugar. Não estava fazendo a coisa básica que a ONU foi designada para parar.
Agora, é justo reclamar que a função da ONU está, rapidamente, se tornando obsoleta. Ela se formou quando guerras entre Estados eram a maior ameaça da ordem mundial, mas esses dias, a ameaça vem de “atores não-estatais”: terroristas.
Então quando uma nação parece estar desenvolvendo armas nucleares e se fraternizando com terroristas que buscam armas nucleares, precisamos de uma maneira sistemática de lidar com isso. O foco da ONU no comportamento externo das nações deveria ser complementado por uma preocupação seletiva de suas condições internas.
Em teoria, então, Bush poderia dizer que ele invadiu o Iraque porque a ONU não tinha evoluído a um ponto onde ela poderia se dirigir ao vínculo desprezível entre Estados e atores não- estatais. Em teoria. Mas, na verdade, essa evolução estava acontecendo diante dos olhos dele, e ele aboliu isso.
Em um precedente memorável, o Conselho de Segurança exigiu que o Iraque se submetesse a inspeções de armas extensivas, e venceu. Na véspera da guerra, inspetores puderam entrar em todos os lugares que eles pediam para ver.
Realmente, inspetores checaram os lugares que a inteligência americana condenou como os mais suspeitos e não acharam nada. Então a idéia de que os inspetores deveriam sumir para que a América pudesse invadir e fazer um trabalho melhor em achar as armas soou para alguns membros do Conselho de Segurança como menos que convincente. Eles deram o sinal vermelho para a América. (Insira um ridículo aqui).
De maneira estranha, e acidentalmente, Bush catalisou a evolução que ele tinha abolido. O Iraque nunca permitiria a entrada dos inspetores se as tropas americanas não estivessem posicionadas para invadir. Isso aponta para uma falha que a futura evolução deve remediar: a ONU não tem o poder de posicionar inspetores de arma onde eles são mais necessários. O tipo de resistência que Bush mostrou precisa ser institucionalizado multilateralmente e integrado em estruturas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
O espaço não permite a declamação de outras falhas da ONU ou soluções propostas. (Procura “veto de única nação” e “expansão do Conselho de Segurança”). De qualquer maneira, no mundo real, a questão não é se uma instituição é perfeita, mas como ela se compara com outras instituições. E no caso da guerra do Iraque, a ONU fez muito mais do que outras instituições, inclusive o governo dos EUA.
Robert Wright
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EXCLUSIVO-Texto sobre Conselho de Segurança da ONU inclui Brasil