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Cérebro: o verdadeiro órgão sexual dos seres humanos

10/04 - 16:11 - The New York Times

Quando se trata de desejo, a evolução deixa pouco espaço para o acaso. O comportamento sexual humano não é um desempenho livre, descobriram biólogos, mas sim guiado o tempo inteiro por programações genéticas.

O desejo entre os sexos não é uma questão de escolha. Homens heterossexuais, ao que parece, possuem circuitos neurológicos que os induzem a procurar por mulheres; homens gays possuem estes impulsos para buscar outros homens. Os cérebros das mulheres podem ser organizados para selecionar homens que parecem tendentes a fornecer cuidados à elas e sua prole. O negócio é fechado quando outras programações neurológicas que induzem uma explosão de amor romântico, seguido de uma ligação sentimental a longo prazo.

O desejo pode ser o centro do comportamento sexual humano, mas é apenas o ato principal em uma peça cujo roteiro é escrito nos genes.

O corpo de um feto em desenvolvimento é feminino por definição e torna-se masculino se o gene determinante masculino conhecido como SRY estiver presente. Este gene dominante, o bem mais valioso do cromossomo Y, desvia o tecido reprodutor de seu destino ovariano e se transforma em testículos. Hormônios dos testículos, principalmente a testosterona, então esculpem o corpo na forma masculina.

No próximo ato, a puberdade, os sistemas reprodutores são preparados para a ação pelo cérebro. Sendo a fantástica máquina elétrica que é, o cérebro também pode se comportar como uma glândula humilde. No hipotálamo, região na base central do cérebro, se encontra um amontoado de quase 2 mil neurônios que dão início à puberdade quando começam a secretar pulsações do hormônio que lança a gonadotropina, impulsionando uma série de outros hormônios.

Avanços na última década enfatizaram o bizarro fato de que o cérebro é um órgão inteiramente sexual, no qual ambos os sexos possuem versões profundamente diferentes entre si. Este é o trabalho manual da testosterona, que masculiniza o cérebro assim como o resto do corpo.

É uma concepção bastante equivocada acreditar que as diferenças entre os cérebros de homens e mulheres são pequenas, erráticas ou encontradas somente em casos extremos, escreveu Larry Cahill da Universidade da Califórnia, em Irvine, no ano passado na revista científica Nature Reviews of Neuroscience. Grandes regiões do córtex, camada exterior do cérebro que executa a maioria de seus processamentos de alto nível, são mais largas nas mulheres. O hipocampo, onde memórias iniciais são formadas, também ocupa uma fração maior do cérebro feminino.

Presumidamente, a masculinização do cérebro desenvolve algum circuito neurológico que torna as mulheres desejáveis. Neste caso, tal circuito é organizado de forma diferente nos homens gays.

A orientação sexual, pelo menos para os homens, parece se formar antes do nascimento.

- Nicholas Wade





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