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A escolha dos críticos: novos CDs

09/04 - 18:49 - The New York Times

Os críticos musicais do New York Times fizeram uma seleçao de CDs lançados recentemente, dando a sua opinião sobre eles

`WAKING UP LAUGHING' (RCA/Sony BMG Nashville) Martina McBride “Eu cobri toda música de questões sociais no planeta”. É assim que a cantora de música country, Martina McBride, descreve sua carreira em um tempo como “Independence Day”, sua música de sucesso sobre uma mulher espancada que se tornou incendiária. Ela é muito sagaz – e muito boa cantora – para ser colocada de lado, mas certamente não se afastou da “música social”. Suas canções recentes incluem “Concrete Angel”, sobre uma filha abusada, e “God´s Will”, sobre um corajoso menino lutando contra uma doença fatal.

Talvez essas músicas deveriam ser bem mórbidas também, mas elas não são. Mais do que qualquer outra cantora, McBride sabe como passar uma mensagem pesada com um toque suave. Como ela mantém suas falas gentis conforme a melodia, você sente que ela realmente gosta dessas personagens, que sofreram por ela.

Há muito sofrimento em “Waking Up Laughing”. Uma namorada é abusada verbalmente, uma sobrinha é molestada, uma noiva grávida se casa e depois sofre um aborto; ninguém faz melodrama suburbano como McBride. Mesmo assim, o clima é pra cima, como o nome sugere. Esse é o primeiro álbum que Martina McBride produziu ela mesma, sem seu colaborador de longa data, Paul Worley. E se ela está se sentindo um pouco volúvel, talvez você possa ouvir a faixa de abertura, uma música alegre de despedida que acaba em um insulto divertido: “Se eu tivesse o seu nome/Eu mudaria agora mesmo”.

Em “I´ll Still Be Me”, McBride afirma ser “somente uma menina normal de uma cidade pequena no meio do nada (como só celebridades podem fazer essa declaração?), depois refuta “normal” com tons agudos suaves e sublimes. “For These Times” gesticula vagamente com a política antes de finalmente subir para o gospel. E “Tryin´ to Find a Reason” é uma balada com uma mensagem surpreendentemente não sentimental: “Baby, é hora de você partir/Se você está tentando achar uma razão para ficar”.

E também tem o “Anyway”, que ela escreveu com os Warren Brothers, uma dupla de country. Até agora, ela só era conhecida por ser intérprete, e isso é uma maneira audaciosa de tomar outro rumo: com uma balada de inspiração grandiosa. Desde a primeira nota do piano, você sabe o que está vindo: versos quietos, refrão triunfante, uma avalanche de notas. Mas isso não o torna menos agradável, nem da primeira nem da 15ª vez.

No refrão, McBride dá uma definicão memorável de fé: “Deus é bom, mas ás vezes a vida não está boa/Quando eu rezo, nem sempre acontece o que eu pensei/ Mas eu faço de qualquer maneira”. Semana passada, “Anyway” se manteve firme como a número 5 no gráfico country da Billboard. Ela chegará a número 1? Talvez isso seja além da questão. Mas vamos torcer para que chegue. In the chorus McBride provides a memorable definition of faith: "God is great, but sometimes life ain't good/When I pray it doesn't always turn out like I think it should/But I do it anyway." Last week "Anyway" held firm at No. 5 on Billboard's country chart. Will it make No. 1? Maybe that's beside the point. But here's hoping it does anyway. - Kelefa Sanneh `LET IT GO' (Curb) Tim McGraw Ano passado, o novato cantor de country Taylor Swift teve um sucesso revelação com a música “Tim McGraw”. Talvez seja uma coincidência, mas o nono álbum de McGraw, “Let it Go”, incluía uma canção chamada “Kristofferson”.

É uma ação complicada de meta-balada, uma canção sobre composição cantada por um cara que não a escreveu. “Eu vou te dizer como eu me sinto, direto, genuíno e real/ Abro uma garrafa de bebida e escrevo uma música para você/ Como Kristofferson faria”.

“Let It Go” já fez um sucesso, “Last Dollar (Fly Away)”, uma canção de amor exuberante escrita por Big Kenny, da dupla Big & Rich. Todas as outras coisas nesse sólido, mas ás vezes pesado álbum de lamentações elegantes (a música da velha guarda (Whiskey & You),alternam com experimentos agitados demais (há uma balada de assassinato ridícula, “Between The River and Me”) e algumas surpresas, como “Suspicions”, uma canção de cinco minutos de blues-rock sobre um homem que se sente inseguro porque sua mulher é “simplesmente tão bonita”.

Falando disso, nada aqui é sentimental quanto “I Need You”, um dueto maravilhoso com a esposa de McGraw, Faith Hill. Duas das maiores estrelas do mundo country, explicando calmamente que eles estão desesperados um pelo outro: sem falar se é genuíno ou real, mas funciona sempre.

- KELEFA SANNEH `DIGNITY' (Hollywood) Hilary Duff Hillary Duff tem 19 anos, e ela é responsável por algumas das melhores músicas pop para adolescentes dos últimos anos (“Wake-Up” evocou o espírito dos Go-Gos), junto com algumas das piores (como ”Cry”, uma balada torturante). Seu novo álbum, “Dignity”, parece muito com um álbum de fim de relacionamento; como seus jovens fãs sabem, ela recentemente terminou com Joel Madden, da banda pop-punk Good Charlotte. As primeiras palavras do álbum são “Ninguém acredita em mim quando eu digo que eles estão enlouquecidos”.

Favorecida com uma voz que possa ser caridosamente descrita como adequada, Duff tem bons motivos para manter o tempo rápido, as batidas agudas e a música cheia de coisa. O resultado é um álbum forte de electro-pop; quem nunca ouviu falar de Lizzie McGuire (o alter ego de Duff do Disney Channel) pode ficar agradavelmente surpreso.

A música atual é “With Love”, uma faixa dançante; “Never Stop” é uma canção efervescente de amor que literalmente pula uma batida. “Entre eu e você” é um exercício sem constrangimentos do No-Doubt. E não se engane por uma música de “Dreamer”: Na verdade é uma música assustadora sobre um perseguidor, cantada por uma pessoa que já foi perseguida. “Seus olhos devem queimar, porque você não piscou”, ela canta, e você pode ouvir um calafrio de medo sob o insulto.

- KELEFA SANNEH `THE THIRD QUARTET' (ECM) John Abercrombie O guitarrista John Abercrombie explorou inúmeras regiões estilizadas durante sua longa parceria com o selo ECM, mas com uma constante estética: uma poesia aberta e organizada. Nos últimos anos, ele levou essa qualidade para um quarteto, com o violinista Mark Feldman, o baixista Marc Johnson e o baterista Joey Baron. O grupo lançou três álbuns juntos, um mais forte que o outro.

Seu novo álbum, “The Third Quartet”, tem uma valsa, uma bossa nova e uns estimulantes ritmos pós-bop, o início do jazz moderno, junto com baladas que unem a complexidade da música de câmaras e a flexibilidade das músicas folclóricas. Toda a música é de Abercrombie, com a exceção de duas obscuridades do repertório de jazz – uma versão exuberante de “Round Trip”, de Ornette Coleman, e uma introvertida versão de “Epilogue”, de Bill Evans – que sugerem duas esferas de influência divergentes.

Cada músico na banda tem seu peso: Johnson e Baron são um time poderoso de ritmo, e Feldman, com seu estilo triste, normalmente chama a atenção. Mas o mundo que eles habitam definitivamente foi definido por Abercrombie, que fecha o álbum com “Fine”, um dueto acústico com uma versão de vozes dele mesmo.

- NATE CHINEN CASSADAGA" (Saddle Creek) Bright Eyes O excesso ajudou a tornar Conor Oberst adorável. Como cantor e compositor da banda Bright Eyes por uma década, ele foi muito sincero, muito articulado, sensível, consciente e ambicioso. E toda a paixão se uniu a um charme precoce. Seu desejo de detalhar cada romance e pensamento o tornou assustadoramente produtivo e fez com que seus fãs se sentissem como confidentes. Mas ele não é mais um adolescente do Nebraska; ele é um líder da banda de 27 anos e uma das maiores estrelas de indie rock. E ele parou para pensar nisso, o que pode ser um erro.

O primeiro album feito em studio de Bright Eyes desde 2005, “Cassadaga” promete grandes declarações. Oberst tem o acompanhamento de um orquestra junto com sua confiável banda de folk-rock. E ele pensa sobre religião, guerra, cura e fantasmas, pessoais e históricos. Cassadaga, na Flórida, é uma cidade cheia de psíquicos, e o álbum começa com “Clairaudients”. Apoiado por abstrações orquestrais, videntes por telefone sugerem visitar centros espirituais.

Depois que a música parte em direção a um rock de raízes, embora notas e barulhos de ventos – feitos por Nate Walcott, tecladista do Bright Eyes – possam aparecer a qualquer momento. Esses arranjos podem ser excelentes, como a pop com estilo dos anos 60 “Make a Plan to Love Me”. Mas eles também fazem as músicas soarem menos espontâneas, assim como a letra do tom oracular de Bob Dylan: “Quando Satã se for, a prostituta da Babilônia/ Ela simplesmente não pode agüentar a pressão de onde está/ Ela cede”, canta Oberst em uma mistura folk de “Four Winds”.

Há dicas de crônicas particulares: reabilitação em “Cleanse Song”, um aborto em “Lime Tree”, o “compromisso constante” de crescer em “Middleman”. Oberst ainda tem momentos proverbiais: em “Soul Singer in a Session Band”, ele canta: “eu era um romântico sem esperanças/Agora eu só estou me enganando”. Claramente ele está procurando por um estilo mais maduro. Mas a forma enrolada de “Cassadaga” ainda não é substituta para a maneira que ele costumava revelar as coisas.

- JON PARELES





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