22/03 - 11:44 - The New York Times
Danos em uma área do cérebro atrás da testa, a alguns milímetros dos olhos, transforma a maneira das pessoas tomarem decisões morais em situações de vida ou morte, reportaram cientistas na quinta-feira.
Em um novo estudo, pessoas com esta rara condição expressaram maior disposição em matar ou machucar outra pessoa se tal ato salvasse a vida de outros.
Os pesquisadores enfatizam que o estudo é pequeno e que as decisões morais eram hipotéticas; os resultados não podem prever como as pessoas com ou sem danos cerebrais agiriam em situações reais de vida ou morte. Mesmo assim, as descobertas, publicadas online na quarta-feira na revista científica Nature, confirmam o papel central da região danificada - o córtex pré-frontal ventromedial, responsável por gerar emoções sociais, como a compaixão.
Estudos anteriores mostraram que esta região estava ativa durante tomadas de decisões morais, e que danos à mesma e às áreas vizinhas causados por demência severa afetavam julgamentos morais.
A descoberta poderia ter implicações em casos legais. Juízes já reduziram sentenças baseadas em resultados de tomografias mostrando danos cerebrais.
O novo estudo concentrou-se em seis pacientes que haviam sofrido danos bastante específicos na área ventromedial, resultantes de aneurismas ou tumores. A área, em adultos, é do tamanho de uma ameixa.
Pessoas com esta condição podem ser lúcidas, fáceis de lidar, falantes e inteligentes, porém socialmente inaptas, aparentemente amortecidas pelas marés dos sinais e emoções sutis da interação social. Também possuem alguns dos mesmos instintos morais das outras pessoas.
Os pesquisadores, da Universidade de Iowa e outras instituições, submeteram as pessoas a reagir a diversos desafios morais. Em um deles, precisavam decidir se desviavam ou não de um vagão descarrilhado prestes a matar um grupo de cinco trabalhadores. Para salvar os trabalhadores, precisariam ligar um interruptor, que empurraria o carro em direção a outro homem, que morreria.
A maioria preferiu ligar o interruptor, assim como um grupo de pessoas sem o dano cerebral. Um terceiro grupo, com danos cerebrais que não afetavam o córtex ventromedial, tomaram a mesma decisão.
Todos os três grupos também rejeitaram a idéia de fazer mal para outros em situações que não requeriam trocar uma morte pela outra. Não mandariam uma filha trabalhar na indústria pornográfica para evitar a pobreza, ou matariam um bebê que não conseguiriam couidar.
Porém, uma grande diferença nas decisões dos participantes emergiu quando não havia interruptor para ligar - quando precisaram escolher entre tomar ação direta para matar ou machucar alguém para servir um bem maior.
Aqueles com danos ventromediais apresentaram o dobro da tendência em afirmar que empurrariam alguém na frente de um trem (se esta fosse a única opção), ou sufocar um bebê cujo choro revelaria a soldados inimigos onde os amigos e família da pessoa estivessem escondidos.
- Benedict Carey
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