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Grã-Bretanha permite que escolas proíbam que muçulmanas usem véus que cobrem o rosto nas salas de aula

21/03 - 18:42 - The New York Times

LONDRES – Autoridades britânicas propuseram novas regras terça-feira para permitir que as escolas proíbam estudantes muçulmanas de usarem véus que cubram o rosto na sala, refletindo um debate mais amplo sobre a relação britânica com a minoria muçulmana.

A recomendação foi o último episódio em uma saga de discussões rancorosas sobre o véu inteiro, conhecido como nigab. Em outubro, o primeiro-ministro Tony Blair descreveu o nigab como um “símbolo de separação” que fez com que “outras pessoas de fora da comunidade se sentissem desconfortáveis”.

O Departamento de Educação publicou as novas regras depois que uma corte em Buckinghamshire rejeitou a exigência de uma muçulmana de 12 anos de usar o nigab em sala de aula no mês passado.

As regulamentações propostas, que ainda precisam ser adotadas formalmente, dizem que o direito individual de “manifestar uma religião ou crença” não concedia o direito de demonstrações de fé “em qualquer momento, em qualquer lugar ou de qualquer modo particular”.

Diretores de escolas devem poder mandar que as alunas mostrem seus rostos porque, caso contrário, “o professor pode não conseguir julgar seu envolvimento na aula”, segundo tais regulamentações. Mais ainda, eles disseram que “as escolas devem poder identificar alunos individualmente para manter a ordem e identificar intrusos mais facilmente”.

A questão da vestimenta islâmica nas escolas é contenciosa em muitas partes da Europa, ás vezes colocando ideologias seculares contra crenças religiosas de minorias crescentes islâmicas.

Jim Knight, o ministro das escolas, disse na terça-feira que as escolas devem consultar com pais quando aprovarem suas regulamentações em uniformes permitidos. “Por mais que eles devam fazer todas as tentativas para acomodar condições sociais, médicas, ou religiosas de alunos individualmente, a necessidade de segurança e aprendizado efetivo na escola sempre deve prevalecer”, ele disse em uma declaração.

A posição do governo trouxe reações bravas de alguns grupos muçulmanos, incluindo a Comissão de Direitos Humanos Islâmicos, cujo presidente, Massoud Shadjareh, disse que era “simplesmente chocante” para o governo “publicar diretrizes contra comunidades muçulmanas”.

Diversos ministros lidando com questões educacionais fracassaram em dar diretrizes apropriadas quando requisitados por ativistas dos direitos humanos sobre obrigações escolares em relação à vestimentas religiosas, incluindo o véu na cabeça”.

Outros tentaram neutralizar o debate insistindo que desentendimentos sobre códigos de vestimentas podem ser resolvidos dentro das escolas. “A vasta maioria das escolas podem resolver esses problemas localmente, e assim deve continuar”, comentou Tahir Alam, um porta-voz do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha.

Alan Cowell





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