15/03 - 09:45 - The New York Times
Há uma boa razão pela qual oficiais militares evitam fazer comentários sobre política, sociedade e posições públicas. Os resultados normalmente são desastrosos.
Considere os comentários ofensivos feitos pelo general Peter Pace, Chefe do Estado Maior, nesta semana sobre os homossexuais. Tais comentários carregaram uma medida especial de mágoa vinda do mais alto oficial militar enquanto milhares de gays e lésbicas lutam por seu país no Iraque.
Com sua recusa em pedir desculpas, Pace piorou o problema e relembrou a nação inteira do que aconteceu da última vez em que a alta patente tocou no assunto. Foi a repreensão pública do general Colin Powell ao novo presidente, Bill Clinton, por considerar a idéia de permitir que homossexuais servissem abertamente o Exército que levou à atual política "não pergunte, não responda".
É um sistema falho, que arruinou vidas e prejudicou as Forças Armadas, porém continua sendo a política atual, estabelecida pelos chefes civis de Pace, e permite que homossexuais sirvam com a condição que não comentem nada sobre sua orientação sexual.
O que tornou tudo mais ofensivo foi ler no conselho editorial do Chicago Tribune a declaração de Pace dizendo acreditar que a homossexualidade é um ato imoral intolerável equivalente ao adultério.
Ao invés de pedir desculpas, Pace disse que o erro foi concentrar seus comentários em sua visão de moralidade em vez das políticas militares.
Pace está errado de todas as maneiras, e fora de ritmo. Um crescente número de americanos dentro e fora do Exército reconhecem que a política atual é indefensável. Tais americanos incluem o general John Shalikashvili, que foi Chefe do Estadpo Maior quando a ignorante política foi adotada. Em um editorial de seu jornal em janeiro, Shalikashvili declarou que conversas com soldados e fuzileiros gays mostraram a ele que "gays e lésbicas podem ser aceitos por seus colegas".
Pace deveria desculpar-se por seus comentários abertamente. Então talvez algum bem poderia sair de suas declarações preconceituosas se acrescentassem ao crescente movimento no Capitólio para finalmente aceitar gays e lésbicas servindo abertamente nas Forças Armadas.
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