06/03 - 11:13 - The New York Times
SÃO PAULO - O presidente Bush chega aqui na quinta-feira com um plano de parceria de energia para criar empregos e diminuir a pobreza e desigualdade, uma mudança nas prioridades de Washington para a América Latina concentrada em reagir contra o desafio imposto pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.
Desde 1990, quando o pai de Bush estava na Casa Branca, a política americana na região concentrou-se em acordos de livre comércio e medidas econômicas relacionadas, com ênfase secundária no combate às drogas.
Porém a crescente esquerda e a tendência anti-americana na política regional, liderada por Chávez - que planeja uma contra-turnê para coincidir com a viagem de Bush - estimulou uma agenda modificada e um impulso renovado para refutar acusações dos latino-americanos de que o presidente ignorou seus interesses para favorecer a campanha contra o terrorismo. A viagem será a mais longa de Bush na região.
"Quando algo não funciona após 15 anos, é um sinal de obstáculos insuperáveis e de que chegou o momento de mudar a direção", disse Rubens Ricupero, diplomata brasileiro e ex-secretário-geral da Conferência de Comércio e Desenvolvimento da ONU, durante uma entrevista. "Esta é uma iniciativa bastante inteligente por parte dos EUA, já que não há motivos para amarrar toda a relação a algo que produziu apenas frustração e estagnação".
A primeira parada de Bush será aqui, na capital industrial do Brasil. Ele e o presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva, deverão assinar um memorando de entendimento para um programa anunciado recentemente que requer que os dois países promovam a produção e o uso do etanol, combustível renovável manufaturado da cana-de-açúcar. É esperado que Lula, ex-líder sindical que lidera o Partido dos Trabalhadores, visite Bush em Camp David no fim do mês.
Porém a convergência de interesses estratégicos dos dois países mais populosos do hemisfério ocidental vai além da energia. O Brasil se considera o líder natural da América do Sul, e não a Venezuela. Recentemente, também mostrou sinais de alarme pelas substanciais compras de armas de Chávez e irritação com seu envolvimento na vizinha Bolívia, incluindo o fornecimento de assistência militar e apoio para a nacionalização de propriedades de energia brasileiras no país.
"Não acredito que o Brasil aceitará a idéia de ser hospedeiro americano na região, ou de moderar ou conter Chávez", disse Felipe Lampreia, Ministro do Exterior brasileiro entre 1995 e 2000. "Mas os Estados Unidos querem fortificar Lula como um contra-peso, para mostrar que é possível haver um governo de esquerda com grande foco em questões sociais, distribuição de renda e redução da pobreza sem a necessidade de radicalismo".
- Larry Rohter
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