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Editorial: Tony Blair corta desperdícios

22/02 - 10:35 - The New York Times

Fale o que quiser, mas o anúncio do primeiro-ministro Tony Blair de que a Grã-Bretanha pretende retirar 1600 de suas 7100 tropas do Iraque não pode ser uma boa notícia política ou militar para o presidente Bush.

Esta não é a primeira redução do contingente britânico, que originalmente contava com 40 mil tropas. Mas chega em um momento de crescente violência no Iraque e incentivo de oposição à desastrosa guerra de Bush em Washington. Também chega no momento em que Blair se prepara para deixar o cargo, dolorosamente ciente de que a fúria popular sobre a guerra ameaça devastar sua reputação.

O anúncio britânico já serviu de catalisador para outras retiradas. A Dinamarca, com 460 tropas sob comando britânico, anunciou na quarta-feira que deixaria o país até agosto. Com o Pentágono se esforçando para encontrar soldados suficientes para o Iraque, uma retirada de tropas feita por seu aliado mais confiável só aumenta a pressão - e o clamor de trazer as tropas americanas de volta.

A Casa Branca tentou moldar a necessidade política de Blair como um sinal de "algum progresso em Basra", segunda maior cidade do Iraque, sobre a qual as forças britâncias possuem responsabilidade militar desde a invasão. O vice-presidente Dick Cheney - ainda mais fora da realidade - disse que a retirada britânica mostra que existem algumas partes do Iraque "onde as coisas vão muito bem". 

Blair é mais esperto, e reconheceu que Basra não é "como gostaria que fosse", mas disse que é o momento dos iraquianos escreverem o "próximo capítulo da história de Basra". Blair também insistiu que a situação no local é "muito diferente de Bagdá", onde, disse, uma "orgia de terrorismo" acontece - seu endosso de saída para o aumento de tropas do presidente Bush na capital.

Mas se há mais calma em Basra, isso apenas acontece porque as forças britânicas cederam o controle às milícias sectárias xiitas e forças policiais locais controladas por facções rivais armadas.

Apenas dois meses atrás, soldados britânicos e iraquianos invadiram uma delegacia policial em Basra, resgatando 127 prisioneiros do que disseram ser execução quase certa. Há muito pouca evidência de que as forças armadas iraquianas serão capazes de proteger os civis inocentes de Basra sozinhas.

Seja em Basra com menos tropas britânicas ou Bagdá com mais americanos, nada no Iraque "vai muito bem".





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