12/02 - 10:35 - The New York Times
O novo orçamento do presidente Bush estenderia as distorcidas prioridades da administração ao domínio dos programas de seguro-saúde federais. Há tempos a administração sacrifica qualquer agenda doméstica significativa para financiar cortes de impostos para cidadãos ricos e a irresponsável guerra no Iraque. A fraca determinação da Casa Branca em tornar os cortes de impostos permanentes começa a talhar os gastos domésticos em saúde e outros programas vitais.
Ao invés de tentar endereçar os problemas fundamentais dos crescentes custos de saúde, a estratégia de Bush é cortar serviços ou transferir a conta aos estados, fornecedores de saúde e indivíduos.
No programa Medicare, que cobre seguros-saúde para americanos acima dos 65 anos, a administração conseguiria manter a maioria de suas economias ao diminuir o crescimento anual nos reembolsos por serviços, forçando os hospitais e outros fornecedores a absorver o peso. Dados os precários apertos financeiros da Medicare, o pacote parece bastante aceitável.
O real insulto é a administração ainda não ter proposto reduções comparáveis nos grandes pagamentos - quase 12% a mais por paciente - feitos para planos de saúde particulares dos beneficiários do Medicare. O orçamento também diminuiria os pagamentos de credores do Medicare, forçando hospitais a engolir as contas não pagas pelos beneficiários.
O orçamento também planeja economizar dinheiro ao eliminar os índices de inflação. Assim, quando os salários aumentarem, o número de pessoas pagando maiores planos também aumentaria. Mesmo que seja uma maneira sorrateira de aumentar as mensalidades, é difícil argumentar contra o fato de que beneficiários mais ricos necessitem pagar mais para ajudar a resgatar um programa em apuros financeiros.
O que parece pouco vantajoso é o plano de Bush em diminuir fundos federais para a administração do Medicaid - forçando os estados a encontrar mais de seus próprios fundos ou sacrificar a boa administração e monitoração. O que é ainda mais preocupante é seu plano de cortar programas estaduais que asseguram os mais jovens.
As restrições mais míopes atingiriam o aclamado Programa de Seguro-Saúde para Crianças, que usa fundos federais para fornecer cobertura para crianças de baixa renda, mas não pobres o suficiente para ser qualificadas ao Medicaid. O programa vem sendo extremamente bem-sucedido na redução do número de crianças sem seguro. Mesmo assim, a administração planeja limitar a aplicação de crianças provenientes de lares com o dobro do rendimento do nível de pobreza federal. Isso reduziria custos em 16 estados com cobertura para crianças acima deste nível.
Mesmo que o orçamento da administração assegure o programa um pequeno aumento de US$5 bilhões em cinco anos, é menos do que a metade, e possivelmente um terço da quantia necessária para manter os segurados atuais e taxas de participação. É um preço muito alto para mais cortes de impostos da fraca presidência de Bush.
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