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Book Review: Coloniais excluídos

12/02 - 15:15 - The New York Times

“CRIANÇA, todos deveriam saber de onde eles vêm” disse Mildred Jackson para sua filha de 22 anos, Faith, enquanto pede para ela ir visitar a Jamaica pela primeira vez. Mas saber de onde você vem não é tão simples quanto parece, especialmente para Faith, uma cidadã britânica de descendência jamaicana cuja busca por uma noção de pertencimento é o que guia a trama do emocionante novo romance de Andrea Levy. Baseado na era da Inglaterra de Thatcher e na Jamaica, “Fruta do Limão” explora a noção de lar, e como ela é diferente para os antes colonizados e seus descendentes.

Crescendo em Londres, Faith tem pouco interesse pela terra natal de seus pais, nem vivenciou o forte e sútil racismo característico da Grã-Bretanha de 1980. Somente depois que ela entra na força de trabalho e sofre na mão de superiores arrogantes brancos, depois vê um ataque da Frente Nacional em uma mulher negra, que ela começa a suspeitar que a nação que ela acredita pertencer pode não querer ela.

Levy (cujo romance anterior, “Pequena Ilha”, ganhou os prêmios Whitbread e Orange, na Grã-Bretanha) se depara com o desafio de dramatizar o assunto difícil de identidade através de sua linguagem contida e imaginária, e é através da habilidade de Faith, enquanto ela narra sua própria história, que ela fala sobre as lacunas na compreensão de assuntos raciais que existem entre tantos grupos de pessoas – amigos com referências raciais e culturais diferentes, irmãos, até mesmo pais com seus filhos. É a suavidade de Levy em situações tensas – quando o pai de uma amiga branca chama uma menina negra de “escurinha” e “animal” na presença de Faith, quando ela interage com moradores do interior da Inglaterra – isso nos permite vivenciar ao invés de simplesmente olhar a crescente desilusão de Faith.

Talvez menos convincente emocionalmente, embora escrita belamente, a segunda parte do romance narra as tentativas de Faith de recuperar sua estabilidade emocional em uma visita à sua família na Jamaica. Essa parte, cheia de pequenas lembranças de alguns de seus parentes, é enfraquecida pela sua narração compartilhada. Aqui nós perdemos a voz marcante de Faith, ouvindo histórias sobre o legado da escravidão, de preferências raciais e as disputas familiares que eles enfrentam. Embora faça falta a presença que guia de Faith, Levy finalmente consegue unir essas histórias através da vivacidade absoluta das vozes. Ás vezes, você pode até ficar tentado a ler pedaços em voz alta, só para ouvir a qualidade lírica do inglês com sotaque jamaicano.

Embora Levy escreva especificamente sobre britânicos negros com descendência jamaicana e suas lutas para serem reconhecidos como membros plenos de uma sociedade maior, seu romance enfatiza a situação geral de todos os filhos de imigrantes pós coloniais pelo Ocidente, da França, aos bairros islâmicos de Nova York, até os guetos hispânicos de Los Angeles. Pelo mundo inteiro, políticas não escritas de exclusão criaram um descontentamento feroz entre cidadãos de algumas nações – que sabem de onde eles vieram, mesmo se eles não sintam como se estivessem em casa.

Uzodinma Iweala

O primeiro romance de Uzodinma Iweala, “Feras de Nenhuma Nação”, foi recentemente publicado em brochura).





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