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Intriga de traficante mostra o medo de urânio

26/01 - 21:13 - The New York Times

TBILISI, Georgia – Janeiro passado, um homem russo com bochechas afundadas e um bigode fino atravessou a Geórgia e viajou para Tbilisi de carro junto com uma estrada montanhosa. Em duas sacolas de plástico dentro de sua jaqueta de couro, segundo autoridades da Geórgia, havia 100 gramas de urânio tão refinadas que podia ajudar a abastecer uma bomba atômica.

O russo, Oleg Khinsagov, teve uma reunião com um comprador que ele acreditava que pagaria US$1 milhão e entregaria o material para um muçulmano de “uma organização séria”, de acordo com as autoridades.

O urânio era só uma amostra, com menos de 113g, e no negócio, um teste: se tudo ocorresse bem, ele se gabou, venderia muito mais escondido em seu apartamento em Vladikavkaz, 2 a 3 kg do raro material, que em mãos experientes são suficientes para fazer uma pequena bomba.

O comprador, na verdade, era um agente da Geóorgia. Alertado pelas ambições do russo por espiões de South Ossetia, funcionários da Geórgia o prenderam e confiscaram sua mercadoria. Depois de um julgamento secreto, o traficante foi sentenciado a oito anos e meio de prisão.

Até agora, todas as vagas linhas gerais do caso permaneceram em segredo. Mas uma análise do episódio, e um similar em 2003, sugere que a instabilidade política da região e a cultura desenfreada de corrupção continua a fornecer base para geração de comércio ilícito de materiais atômicos.

Entrevistas com funcionários georgianos e americanos, juntamente com uma análise de documentos confidenciais do governo, forneceram um vislumbre em um mundo no qual traficantes tentam passar por fronteiras má fiscalizadas e agentes que tentam pará-los.

O comércio ilícito – não somente bens atômicos, mas tudo. Desde furtos de carros, peles, até notas de US$100 falsificadas – sucedem especialmente na Geórgia, onde pequenas regiões separatistas se tornaram paraísos criminais sem leis.

Esse último ataque de urânio, segundo John F. Tefft, o embaixador americano aqui, “dar ênfase em como o tráfico e o controle enfraquecido de fronteiras associado com conflitos separatistas da Geórgia” representam uma ameaça “não somente para Geórgia, mas para toda a comunidade internacional”.

O que é mais preocupante sobre os dois recentes casos, segundo analistas nucleares, é o próprio material: em quantidades grandes suficientes, pode fornecer para um terrorista uma solução instantânea para o maior desafio em fazer uma arma nuclear, obter o combustível.

O urânio confiscado em 2003 e 2006 foi enriquecido para quase 90% U-235, de acordo com análises dos governos russo e americano obtidos pelo New York Times. Embora as quantidades fossem pequenas para fazer uma bomba, aquele nível de pureza é ideal para isso.

Lawrence Scott Sheets e William J. Broad





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