23/01 - 10:56 - The New York Times
Psicólogos e antropólogos há tempos recorrem à curandeiros, culturas tribais ou espiritualistas para estudar os mistérios da crença em superstições e poderes mágicos. Mesmo assim, poderiam muito bem ter examinado seus próprios vizinhos, assistentes de laboratório ou até alguns colegas cientistas. Uma nova pesquisa demonstra que hábitos do chamado pensamento mágico - a crença, por exemplo, de que desejar o mal para um colega ou parente odiado fará com que fique doente - é muito mais comum do que as pessoas pensam.
Em uma série de experimentos publicados no último verão, psicólogos de Princeton e Harvard mostraram quão fácil é extrair pensamentos mágicos em adultos bem informados. Em uma situação, por exemplo, os pesquisadores fizeram com que os participantes observassem uma pessoa vendada jogar um jogo de basquete no fliperama e visualizassem sucesso para ela. O jogo, desconhecido para os participantes, era falso: a pessoa vendada conseguia enxergar, havia praticado bastante e acertou a maioria das cestas.
Em questionários, os espectadores afirmaram que, provavelmente, desempenharam algum papel no sucesso do jogador. Um grupo de comparação, instruído para visualizar o jogador levantando halteres, foi muito menos tendente em afirmar tal crédito.
"A pergunta é: porque as pessoas criam esta ilusão de pensamento mágico?", disse a autora principal, Emily Pronin, professora assistente de psicologia e relações públicas em Princeton. "Acredito que, em parte, seja porque vivemos constantemente expostos à nossos próprios pensamentos - são mais salientes a nós" e portanto tendemos a superestimar sua conexão aos eventos externos.
O cérebro, além disso, evoluiu para fazer julgamentos instantâneos sobre casualidades, e tomará conclusões bem antes da lógica ser aplicada.
Segundo pesquisadores, tais ativações ocorrem tão rapidamente que muitas vezes ligam dois eventos baseados em nada além de coincidências: "Eu havia acabado de pensar em procurar minha namorada do colégio quando, do nada, ela me ligou".
"Este sentimento de que seus pensamentos conseguem, de algum modo, controlar as coisas é um sentimento necessário", disse o dr. Daniel M. Weger, professor de psicologia em Harvard - oposto polar do desamparo, que muitas vezes acompanha a depressão.
A realidade é a verificação mais potente dos pensamentos mágicos de fuga, e na vasta maioria das pessoas, previne que as crenças se tornem algo além de conforto e rituais particulares descartáveis.
- Benedict Carey
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