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Roubo de Picassos contribui para mistério de excêntrico colecionador de arte

12/01 - 14:24 - The New York Times

NOVA YORK - Quando o excêntrico e impertinente William M.V. Kingsland de Manhattam faleceu em março, deixando uma inesperada coleção de arte em seu apartamento do Upper East Side, um salto misterioso do mundo da arte começou a se revelar.

Para começar, a maioria das obras de arte era roubada.

Na mais última reviravolta, as autoridades declararam na quinta-feira que um empreiteiro de mudanças do Queens o qual funcionários públicos haviam contratado para ajudar na limpeza do apartamento foi acusado de levar consigo duas obras preciosas: desenhos de Pablo Picasso. A sogra do empreiteiro também foi acusada.

"Os réus são acusados de roubar não só de seus próprios clientes, mas também dos mortos", disse Rose Gill Hearn, chefe do Departamento de Investigações da cidade, que anunciou na quinta-feira as prisões de Nahum Kohen, o empreiteiro, e Ori Lellouch, sua sogra.

Gill Hearn disse que as prisões foram efetuadas após seu gabinete ficar sabendo pelo Gabinete da Adminstração Pública de Manhattan e o FBI que os desenhos de Picasso estavam desaparecidos, e que um deles estava à venda em várias casas de leilão. Acreditava-se que os desenhos, que valem aproximadamente US$60 mil, não estavam sob possessão de Kingsland ilegalmente.

Kohen, 38, de Fresh Meadows, foi acusado do furto dos desenhos, uma guitarra e um mandolin. Ele enfrentará até 15 anos de prisão se for condenado, dizem as autoridades.

Lellouch, 56, de Kew Gardens Hills, que segundo os investigadores tentou vender os desenhos por meio de um corretor, é acusada de possessão de bem ilegal e poderá enfrentar um ano na cadeia.

O advogado de Kohen, Roger L. Stavis, disse: "Meu cliente é completamente inocente. Não existem provas contra ele, e esperamos que esta grave injustiça seja retificada imediatamente".

As autoridades declararam não saber quem está representando Lellouch.

Mesmo que suas vidas pareçam distantes, as histórias do recém-falecido e dos recém-presos estão ligadas por uma rede de intrigas.

Kingsland, que morreu e não deixou testamento, vivia uma vida cercada de mistérios. Seu nome verdadeiro, desconhecido por muitos de seus conhecidos do Upper East Side, era Melvyn Kohn. Sua idade era incerta; tinha entre 58 e 62 anos.

Kohn era um corretor ocasional de arte que parecia possuir conhecimento ilimitado dos prédios de seu bairro e seus residentes, e cultivava uma aura de alguém enraizado na aristocracia do Upper East Side. Mas era um recluso que vivia sozinho e convidava pouquíssimas pessoas em seu bagunçado e empoeirado apartamento.

Após a morte de Kohn, o conteúdo do apartamento foi um choque para aqueles que pensavam conhecê-lo. Entre a coleção de arte, fora os dois desenhos de Picasso, haviam obras de Giacometti, John Singleton Copley, Odilon Redon, Kurt Schwitters e outros.

O apartamento era "abarrotado de tesouros interessantes", disse Colin Stair, da Stair Galleries em Hudson, NY, contratado pelo administrador público para vender alguns dos itens menos valiosos do apartamento, incluindo muitos quadros em aquarela.

De acordo com o FBI, a maioria das obras mais importantes foram roubadas, mas não se sabe ainda como Kohn conseguiu obtê-las.

Gill Hearn disse na quinta-feira que o administrador público havia contratado uma firma de consultoria para examinar a coleção e ajudar a vender os ítens mais valiosos. Os consultores fotografaram os dois Picassos, que depois desapareceram.

Quando o administrador público informou aos investigadores de Gill Hearns que os desenhos haviam sumido, compilaram uma lista de todo mundo que havia entrado no apartamento na East 72nd Street após os consultores tirarem as fotos.

O nome de Kohen estava na lista. Enquanto isso, segundo Gill Hearn, o FBI, que investigava relatos de que outras obras no apartamento de Kohn haviam sido previamente roubadas, ficou sabendo que um corretor de Manhattan tentava vender um dos desenhos de Picasso que havia obtido de Lellouch.

O corretor, cuja identidade não foi revelada, está sendo acusado e não sabia que o desenho entregue por Lellouch era roubado, disse um oficial diretamente envolvido no caso que insistiu em permanecer anônimo pois o caso ainda está sob investigação.

"Roubar no emprego não é um benefício extra", disse Gill Hearn ao anunciar as prisões na quinta-feira. "A maioria sabe que pode levar à cadeia e uma ficha criminal".

- Thomas J. Lueck





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