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Vendas de Nintendo Wii ultrapassam PlayStation 3 no Japão

11/01 - 13:50 - The New York Times

TÓQUIO - Já saíram os primeiros resultados do concorrido mercado de videogames no Japão e, até agora, não parecem muito promissores para a Sony e seu tão promovido PlayStation 3.

A empresa de pesquisa de mercado Enterbrain publicou as estimativas de vendas nesta semana, que mostram que a Sony não atingiu seu objetivo de vender 1 milhão de PlayStations 3 no ano passado. Segundo a Enterbrain, a Sony vendeu 534,336 consoles entre o lançamento no Japão, em 11 de novembro, até o dia 7 de janeiro.

Em contraste, a Enterbrain reportou que a Nintendo vendeu 1,14 milhões de unidades de seu console mais barato, Wii, desde seu lançamento em 2 de dezembro até 7 de janeiro. O Xbox 360 da Microsoft, que teve sucesso limitado no mercado japonês, vendeu 311.053 unidades desde seu lançamento, em dezembro de 2005.

"Os Wiis saem voando de nossas lojas", disse Naoko Ito, porta-voz da Bic Camera, uma das maiores lojas de eletrônicos do Japão. "Mas ainda temos muitos PlayStations". Analistas dizem que tais números oferecem os primeiros dados brutos sobre como o PlayStation 3, lançado no Japão uma semana antes dos EUA, vem se saindo em grandes mercados. Acrescentaram ainda uma nota de aviso durante o fim-de-semana anunciando planos de enviar 6 milhões de PlayStations mundialmente neste ano.

Vendas mornas podem soletrar problemas para a Sony, que necessita muito do sucesso do PlayStation 3 para superar lucros baixos e recalls embaraçosos. Howard Stringer, CEO da Sony, disse em muitas ocasiões que o futuro da empresa depende de "produtos campeões", e analistas afirmam que o PlayStation 3 é o único sucesso potencial visível para a Sony hoje em dia.

Segundo analistas, os números de vendas japonesas oferecem um preview de como o PlayStation 3 e o Wii se sairão nos Estados Unidos, entanto avisaram sobre as grandes diferenças entre os dois mercados. Eles declaram que os consumidores nos Estados Unidos, por exemplo, têm mais tendências de abraçar o PlayStation 3 pois seus gráficos afiados funcionam melhor nas gigantes telas de TV americanas. 

Os analistas também esperam um início vagaroso para o PlayStation 3 em todos os mercados mundiais, já que atrasos na produção limitaram o número de consoles disponíveis. Porém, varejistas e analistas se surpreenderam com a morna demanda japonesa. Declararam que a razão principal da rejeição ao PlayStation 3 é seu alto preço. 

O modelo mais barato do PlayStation 3 custa 49.980 ienes (US$425), comparados aos 25 mil ienes (US$210) pelo Wii. Nos Estados Unidos, os videogames custarão US$499 e US$250 respectivamente.

"Estamos recebendo a primeira espiada real no mercado", disse Masayuki Otani, analista da Maruwa Securities de Tóquio, "e já ficou óbvio que o Wii largou na frente".

Otani também acautelou ao dizer que é muito cedo para descartar o PlayStation 3, pois a Sony ainda possui muitas oportunidades para se recuperar ao passo que mais jogos e outros softwares forem disponibilizados. Também demonstrou a preocupação de que a popularidade do Wii seja uma tempestade num copo d'água, mesmo que a Sony muito provavelmente leve de 2 a 3 anos para alcançar o Wii por conta da grande vantagem inicial da Nintendo. 

As estimativas de venda ajudaram no declínio das ações da Sony na quarta-feira, em Tóquio. As ações caíram até 2,7% antes de fecharem com queda de 1,08%, a 5.440 ienes. Enquanto isso, as ações da Nintendo subiram 1,71%, para 29 mil ienes, após a empresa levantar sua previsão de lucros anuais em 20 milhões de ienes (US$170 milhões), para $1 bilhão.

Os resultados de vendas no Japão vieram dias após a Sony anunciar que havia alcançado sua meta de enviar 1 milhão de PlayStations 3 para os Estados Unidos no fim do ano passado. Tal anúncio foi feito na Consumer Electronics Show em Las Vegas, onde a Sony exibe o PlayStation 3.

Analistas, entretanto, apontam que os números americanos refletem apenas carregamentos para varejistas e não compras reais pelos consumidores.

"O novo PlayStation pode demorar um pouco para ficar popular entre os consumidores. Mas é uma máquina com enorme potencial", disse Hirokazu Hamamura, presidente da Enterbrain.

- Martin Fackler





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