10/01 - 11:52 - The New York Times
NOVA YORK - Quando os promotores prenderam o chofer de Yoko Ono em dezembro, alegaram que era um empregado decepcionado e potencialmente violento tentando extorquir dinheiro da patroa.
Porém, na terça-feira, a carta do motorista pedindo dinheiro foi liberada pela primeira vez e acabou se mostrando algo a mais - uma atormentada história de paixão, romance, sexo e humilhação, com a exigência de dinheiro desempenhando um papel pequeno.
O motorista Koral Karsan, 50, afirma que não era apenas o chofer de Ono, mas também seu amante, e que seu casamento, auto-estima e o caso de amor entre os dois foram destruídos pelas mudanças de humor, dependência e comportamento abusivo de Ono.
No primeiro parágrafo da carta datilografada, de duas páginas, Karsan escreveu: "Como você sabe, venho lhe servindo lealmente em muitas tarefas, como motorista, guarda-costas, assistente, mordomo, enfermeiro, faz-tudo e mais importante, seu amante e confidente pelos últimos 10 anos".
Elliot Mintz, porta-voz de Ono, 73 anos, negou na terça-feira que ela e Karsan possuíam um relacionamento sexual. "Tudo isso não é verdade", disse. Elliot reconheceu que a má-propaganda possivelmente afetou a reputação de Ono, mas disse que ela não se arrepende de ter ido à polícia.
"Ela certamente se sente mal, e não se arrepende nem um pouco sobre como lidou com a situação", disse Mintz. "É uma carta de extorsão. Ela não paga taxas de extorsão ou chantagem".
Mintz se recusou a comentar sobre outros detalhes da carta de Karsan, fora dizer que tinha algumas diferenças em relação ao rascunho que viu.
Karsan escreveu que havia entrado em contato com um advogado para processar Ono por assédio sexual como compensação de seus maltratos. Na última frase da carta, disse que merecia US$2 milhões como compensação por sua dor e sofrimento, e desistiria de seus planos de processo se Ono o pagasse.
Os promotores dizem que Karsan leu a carta à Ono em seu apartamento no edifício Dakota no dia 8 de dezembro, 26º aniversário da morte de seu marido, John Lennon, por um fã enlouquecido. A carta foi caracterizada como extorsiva pelos promotores, que afirmam que Karsan ameaçou liberar fitas e fotos comprometedoras, além de assassinar Ono se ela não pagasse US$2 milhões para que retornasse à Turquia.
Até agora, os promotores só liberaram pequenos trechos da carta.
Porém o advogado de Karsan, Robert Gottlieb, apresentou à Suprema Corte Estadual em Manhattan na terça-feira o que diz ser o texto inteiro da carta como parte do pedido de fiança de Karsan, preso desde 13 de dezembro.
O gabinete do promotor público se recusou a comentar na terça-feira.
A carta, com data de dezembro de 2006, começa com uma nota formal - "Prezada Sra. Ono". Por 10 anos, Karsan escreveu, "nosso relacionamento se aprofundou emocionalmente e fisicamente".
"Seu sistemático abuso físico e psicológico causou minha transformação como pessoa e me tirou qualquer resquício de dignidade e auto-estima. Minha esposa me deixou por conta de nosso relacionamento", continuou.
Karsan escreveu que Ono o fazia trabalhar mais de 15 horas por dia, sete dias por semana, além de obrigá-lo a esperar até que Ono deixasse o país para levar sua esposa ao hospital ou fazer uma festa de noivado para o filho.
Também declarou que, ao montar seu processo, chamaria pessoas que testemunhariam sobre "coisas que chocarão o mundo". Sua lista incluía "Paul", possivelmente Paul McCartney; o filho de Ono, Sean Lennon; sua filha Kyoko, fruto do seu primeiro casamento com Anthony Cox; Jann Wenner, editor da revista Rolling Stone, além de seus vizinhos no edifício Dakota.
Karsan declarou que escreveria livros revelando detalhes tão pessoais quanto a história na qual Sean Lennon contou à uma namorada que seu pai espancava suas esposas, e que repetiria os comentários críticos de Ono sobre pessoas, desde seus filhos, os Beatles, Jacqueline Kennedy Onassis até Mintz, seu próprio porta-voz.
- Anemona Hartocollis
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