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Editorial: A horrível morte de Saddam Hussein

04/01 - 11:59 - The New York Times

Saddam Hussein não merece a pena de ninguém. Mas qualquer um que tenha visto o vídeo de celular do seu enforcamento pode dizer, sua execução tinha pouca semelhança com justiça isenta e administrada pelo Estado. O ditador condenado parece ter sido entregue da custódia do Exército americano para a mão de uma multidão de linchamento xiita.

Para a administração Bush, que insiste que foi à guerra no Iraque para implementar democracia e Justiça, aquelas imagens vistas globalmente foram vergonhosamente desconcertantes.

Infelizmente, todos os americanos serão culpados, enquanto o povo iraquiano agora provavelmente sofrerá mais. O que deveria ser uma passagem simbólica da era mais sombria do Iraque, pelo contrário, desencadeará uma cruel nova era de vingança sectária.

O horrível episódio mostra porque o primeiro ministro Nouri Kamal al-Maliki nunca irá produzir o governo de unidade nacional que Washington insiste em pedir e que o Iraque precisa desesperadamente.

Al-Maliki agora está lutando para se desvincular do desastre de relações públicas. Na quarta-feira, seu gabinete anunciou a prisão do guarda que supostamente fez o vídeo sem autorização. Mas a culpa fundamental pertence a al-Maliki, que pessoalmente orquestrou a hora e as circunstâncias da execução do último sábado.

O presidente ignorou pedidos para adiar de Washington e as precisões legais da constituição do Iraque. Ele se apressou para dar a morte de Saddam como um presente de feriado para o eleitorado radical sunita, especialmente para os seguidores do clérigo e líder de milícia Muqtada al-Sadr, que foram permitidos cantar abusadamente para o ditador condenado enquanto ele estava na forca com a corda ao redor de seu pescoço.

Os torcedores de al-Maliki, o presidente Bush e o primeiro ministro britânico Tony Blair, se distanciaram desse repelente espetáculo. Ainda que a administração Bush de novo acredite que tem pouca credibilidade para ensinar qualquer um sobre dignidade básica devido aos presos. O Washington Post publicou quarta-feira uma investigação do FBI que revelou um padrão de insultos deliberados às crenças religiosas de prisioneiros muçulmanos em Guantânamo.

Enquanto Bush prepara seu último plano para o Iraque, ele deve encarar as realidades expostas. A partir de janeiro de 2007, o Iraque não terá um exército capaz de se manter sozinho. Não tem um sistema de justiça que domine a política, enquanto sua força policial está dominada por milícias sectárias e criminosas. Mais crucialmente, falta um governo comprometido em proteger os direitos e a segurança pessoal de todos os iraquianos.

A maioria dos americanos, qualquer que seja sua visão da guerra, entende que o regime de Saddam Hussein trouxe um curso de assassinatos e sofrimento indescritível ao povo iraquiano. Saddam agora foi para seu túmulo. Mas a maneira ofensiva de sua morte, deliberadamente imitando seus próprios métodos depravados, assegura que sua crueldade sobreviverá a ele.





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