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Pesquisa liga saúde cardíaca com estresse pós-traumático

02/01 - 14:18 - The New York Times

Uma pulsação acelerada, tendência de se assustar com barulhos altos, pesadelos e flashbacks – esses são os sintomas familiares de estresse pós-traumático. Mas um novo estudo sugere que veteranos de guerra que sofrem disso também podem ter o risco de ataques cardíacos e trombose fatais no coração aumentados.

O estudo é o primeiro a sugerir que os sintomas de estresse pós-traumático, ou PTSD (sigla em inglês), podem também ser a causa de doenças no coração. E quanto mais severos os sintomas do PTSD, os pesquisadores descobriram, maior o risco.

A análise se baseou em dados de 1.946 veteranos que participaram de um estudo contínuo. Os homens, cujas idades médias no começo do estudo era de 62, não tinham pré-existente problemas no coração. Começado em 1986, eles foram estudados por mais de 10 anos, com exames físicos periódicos e a atualização de seus registros médicos. Duas escalas auto-administradas foram usadas para avaliar os sintomas do estresse pós-traumático e para estimar sua severidade.

No curso do estudo, publicado na edição de janeiro nos Arquivos de Psiquiatria Geral, 255 dos homens desenvolveram ataques cardíacos não fatais, tromboses no coração fatais ou angina, a dor no peito associada com problemas no coração. O número e a severidade dos sintomas dos veteranos foram significativamente associados com ataques do coração não fatais e morte por trombose, e alguma coisa menos forte ligada à angina.

Esses resultados, os autores concluem, significam que as pessoas com mais sintomas de estresse não são simplesmente inclinadas a relatar dores, mas realmente têm mais risco de doenças.

“Nessa amostra, os níveis dos sintomas foram de baixos para moderados”, segundo Laura D. Kubzansky, a principal autora e professora assistente de sociedade, desenvolvimento humano e saúde na Escola Harvard de Saúde Pública. “Então o fato de que temos evidências dos riscos nesses níveis significam que em níveis maiores de sintomatologia, onde as pessoas podem realmente estar estressadas e apresentar os critérios de diagnóstico de PTSD, você espera ver ainda maiores níveis de risco”.

O mecanismo exato pelo qual estresse pós-traumático pode afetar a saúde do coração não é conhecido, mas alguns pesquisadores sugeriram que o estresse causado pela liberação de hormônios conhecidos como catecolaminas podem levar ao trauma de artéria coronárias alterando o fluxo de sangue ou dar início a mudanças químicas no corpo. Esses hormônios podem estimular também a liberação de ácidos gordos que podem ser prejudiciais ao coração.

O novo estudo, de acordo com os autores, é o primeiro a demonstrar uma associação entre doenças cardíacas e sintomas de estresse pós-traumático enquanto controlados por muitas das variáveis que podem afetar o risco, incluindo depressão, fumo, um histórico familiar de doenças cardíacas, níveis de colesterol e consumo de álcool.

Os pesquisadores reconhecem que as descobertas do estudo estão mais ligadas aos homens brancos mais velhos que serviram no exército e, portanto, não podem ser generalizados para a mulher, não brancos, ou civis. Além disso, os dados nos sintomas psicológicos (embora não em doenças cardíacas) dependeram de auto-relatórios dos veteranos mais do que entrevistas com médicos, e portanto, pode ser menos confiável.

O fato de que os pesquisadores determinaram a presença de estresse pós-traumático antes do começo de qualquer doença cardíaca fortalece as descobertas, eles disseram, porque elimina os problemas de recaídas, quando as pessoas erroneamente atribuem doenças a algum evento sem conexão ou ansiedade no passado.

Por um longo tempo, falou Kubzansky, pessoas assumiram que aqueles com ansiedade, depressão, ou estresse pós-traumático eram simplesmente mais propensas do que os outros a relatar dores, e as dores podem não ser reais.

Mas as novas descobertas, ela continuou, “sugerem que existem efeitos cardiotóxicos significativos dessas doenças além de um senso de desconforto ou dor”.

“Nós deveríamos nos preocupar com PTSD porque é um péssimo resultado”, ela disse. “Mas isso forma um argumento ainda mais forte de que nós deveríamos prestar mais atenção àqueles que têm para garantir que eles não desenvolvam maiores problemas pelo caminho”.

Nicholas Bakalar





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