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Diversas mortes por anorexia preocupam o Brasil

30/12 - 14:35 - The New York Times

RIO DE JANEIRO – Em menos de dois meses, quatro jovens mulheres morreram em casos amplamente publicados de anorexia no Brasil, causando um debate nacional sobre imagem do corpo e desordens alimentares.

O problema é novo aqui, e claramente surpreende e choca os brasileiros. Nesse país, eliminar a fome entre os milhões de pobres é tradicionalmente uma importante causa política, e a noção de que as pessoas voluntariamente passam fome é difícil para a maioria dos brasileiros compreender.

No ultimo incidente, Beatriz Cristina Ferraz Bastos, uma estudante de 23 anos e trabalhadora de escritório, morreu na véspera de Natal, pesando somente 34 kg. Em sua página do Orkut, um web site popular entre jovens brasileiros, ela se descrevia como “magra” depois de estar “49 kg acima do peso” quando era adolescente, e incluiu fotos antes e depois para provar seu ponto.

A primeira morte, em meados de novembro, foi a de Ana Carolina Reston, uma modelo de 21 anos, e que foi inicialmente tratada como uma aberração. Na época de sua morte, Reston tinha 1,72m de altura, mas pesava somente 36kg e estava sob tratamento médico depois de ter um colapso tirando fotos de moda no Japão.

Alguns dias depois, uma estudante de moda de 21 anos também morreu de anorexia. No começo desse mês, sua morte foi seguida pela a de uma manicure de 23 anos, e um furor completo da mídia, com artigos e programas de televisão especulando que a obsessão do Brasil com beleza física estava ficando fora de controle.

No sinal mais claro que o assunto havia atingido a consciência pública, uma popular novela de televisão, “Páginas da vida”, incluía uma personagem que era uma bailarina adolescente sofrendo de bulimia. Acrescentando, uma revista semanal publicou uma reportagem de capa que tinha uma fotografia de Reston junto com uma manchete onde se lia “Dentro da mente de uma anoréxica”.

Ao mesmo tempo, mais de 11 milhões de famílias, em sua maioria da região pobre do nordeste do país, se beneficiam de um programa do governo que paga um pequeno salário mensal para aqueles que não têm o suficiente para comer. De acordo com o departamento de estatísticas nacionais, pelo menos 8% dos 185 milhões de brasileiros está abaixo do peso, a grande maioria porque é pobre demais para poder pagar uma alimentação apropriada.

Os quatro casos de morte por anorexia, em contraste, ocorreram no estado de São Paulo, o estado mais populoso, próspero e moderno. Também é o centro da crescente indústria da moda do Brasil, que está sob pressão para tomar medidas para proteger modelos e desencorajar garotas normais a passar fome para se adequar às idéias de beleza feminina dos estilistas e agentes.

Gisele Bündchen, uma modelo que nos anos recentes esteve entre as mais conhecidas e sucedidas no mundo, é brasileira. Sua fama e riqueza são amplamente admiradas aqui e estimulou milhares de outras jovens a entrar em escolas de modelo e competições, cujo número proliferou.

Mês passado Gisele Bündchen concordou em dar uma entrevista para o jornal diário da capital do estado com o mesmo nome, Folha de São Paulo. Ela criticou a obsessão internacional com magreza e pediu para garotas que querem seguir seus passos não cair na armadilha.

“Infelizmente, com a competição que existe em nosso ambiente, muitas garotas dão mais importância para o trabalho e certas noções de beleza do que para sua saúde”, ela disse. “Passar fome para seguir um certo padrão é um grande erro e não garantirá o sucesso de ninguém”.

A anual São Paulo Fashion Week está marcado para mês que vem, e os organizadores disseram que eles pedirão provas de que todas as modelos participantes têm, pelo menos, 16 anos e que elas forneçam certificados de saúde. Eles também anunciaram uma campanha de conscientização da saúde e anorexia que incluem impressão, transmissão e anúncios pela Internet, a distribuição de folhetos e conversas nas escolas.

Larry Rohter





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