29/12 - 17:01 - The New York Times
WASHINGTON - Enquanto ajudava a arrumar os detalhes para seu próprio funeral, Gerald R. Ford pediu ajuda a um antigo adversário: Jimmy Carter, que o derrotou nas eleições presidenciais de 1976.
Ford perguntou se seu sucessor consideraria fazer um discurso em seu funeral e se ofereceu, humildemente, a fazer o mesmo para Carter, dependendo de quem morresse primeiro.
O convite era planejado há décadas, disseram amigos de Ford. E, segundo eles, era um gesto típico do ex-presidente, que foi às sessões de planejamento de seu próprio funeral exigindo que seu caixão não fosse levado ao Capitólio numa elaborada carruagem puxada por cavalos, e sim num cortejo de automóveis.
Durante as cerimônias funerais de Ford, o 38º presidente, a simplicidade que tanto buscava estará à mostra em Washington e depois em Michigan, onde será enterrado. Seu caixão será carregado ao Capitólio pela Câmara dos Representantes, onde serviu por 25 anos, ao invés de ser carregado pela escadaria principal. Uma banda tocará uma versão sombria do hino da Universidade de Michigan, onde estudou.
Haverá bastante pompa, com certeza. Mesmo assim, o funeral terá o sentimento distinto de Ford, enfatizando seu trabalho no Congresso e seu desejo de curar o país quando assumiu a presidência após o afastamento de Richard Nixon.
"É um memorial, uma homenagem, uma celebração acima de tudo", disse James Cannon, biógrafo de Ford.
Shari Lawrence, porta-voz do Joint Force Headquarters da capital, que organiza funerais estaduais, disse: "É uma homenagem que prestamos ao presidente, será um acontecimento solene, com tudo que o presidente Ford e sua família pediu. Vai ser bem simples, assim como ele", disse.
A família Ford não divulgou todos os detalhes das cerimônias, que começam na Califórnia e terminam no Michigan, com o ex-presidente permanecendo no Capitólio por dois dias.
Segundo colegas de Ford, espera-se que Carter desempenhe um papel no funeral, assim como outros convidados importantes, incluindo o ex-secretário de Estado Henry Kissinger e o âncora da NBC Tom Brokaw.
Os ex-presidentes ficaram amigos logo após o final do mandato de Carter, iniciando durante um vôo que fizeram juntos voltando de Cairo, no Egito, após o funeral do presidente Anwar Sadat, em 1981. Encontraram o interesse mútuo sistema presidencial de bibliotecas, e concordaram em trabalhar em projetos nas instituições de cada um. Eles comparava notas sobre políticas públicas e suas famílias e, com o tempo, suas esposas se tornaram amigas também.
Anne E. Kornblut
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