24/12 - 15:47 - The New York Times
Talvez tenha sido um erro freudiano. Ou um caso de sumiço a olho nu.
De qualquer maneira, Sigmund Freud, num rabisco deixado no registro de um hotel na Suíça, parece ter fornecido a resposta para uma pergunta que preocupou acadêmicos por boa parte do século passado: Ele teve ou não um caso com a irmã mais nova de sua mulher, Minna Bernays?
Rumores de uma ligação romântica entre Freud e sua cunhada, que vivia com eles, persistiram apesar das constantes negações de defensores de Freud.
O psicanalista suíço Carl Gustav Jung, discípulo e depois arqui-rival de Freud, afirmava que Bernays havia confessado seu affair a ele. (A afirmação foi desprezada por freudianos como malícia da parte de Jung). Alguns pesquisadores até mesmo teorizaram que Minna havia engravidado e abortado um filho de Freud.
Faltavam provas. Porém um sociólogo alemão disse ter encontrado evidências de que no dia 13 de agosto de 1898, durante férias nos alpes suíços, Freud, na época com 42 anos e Bernays, 33, se hospedaram no Schweizerhaus, um hotel em Maloja, e se registraram como casados, uma descoberta que pode fazer com que historiadores reavaliem seu entendimento da própria psicologia de Freud.
Uma página amarelada no livro de hóspedes mostra que o casal ocupou o quarto 11. Freud assinou, em seu peculiar garranho germânico, "Dr Sigm Freud u frau", abreviação para "Dr. Sigmund Freud e esposa".
"Por qualquer padrão razoável de prova, Sigmund Freud e sua cunhada Minna Bernays tinham um caso", escreveu Franz Maciejewski, sociólogo da Universidade de Heidelberg e especialista em psicanálise que localizou os arquivos em agosto último.
A evidência é persuasiva o suficiente para Peter Gay, biógrafo de Freud e cético do que chamava de "a questão Minna", dizer que agora está inclinado a revisar seu trabalho de acordo com as novas informações. "Isso torna bastante possível que tenham dormido juntos", disse. "Mas não torna sua pessoa ou sua psicanálise mais ou menos correta".
Ralph Blumenthal
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