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Editorial: o Exército do mundo real

24/12 - 12:19 - The New York Times

A realidade militar finalmente avançou a parede ideológica da administração Bush na semana passada, com o presidente reconhecendo publicamente a necessidade de aumentar o tamanho dos saturados Exército e Marinha.

Forças maiores são uma necessidade absoluta para o tipo de batalhas que a América terá de enfrentar durante as próximas décadas: grandes confrontos com insurgentes em terra ao invés de tiroteios high-tech com superpotências rivais. O atrasado reconhecimento do presidente é bem-vindo, mesmo somente após danos significativos feitos à moral, padrões de recrutamento e prontidão do Exército. Dado o tempo requerido para recrutar e treinar as tropas adicionais, o aumento proposto não fará muita diferença nos combates em atuais do Iraque. Mas com o tempo, ajudará tornar a América mais segura e melhor preparada para futuras crises.

A necessidade de mais tropas sempre foi óbvia aos americanos. Eles ouviram de seus vizinhos e na televisão sobre tempos de serviço estendidos involuntariamente, segundos e até terceiros envios ao Iraque, rebaixamento dos padrões de recrutamento e membros da Guarda Nacional e das Reservas prometendo sair. Esta é a conseqüência inevitável quando se tenta apertar mais 160 mil soldados no Iraque e Afeganistão ano após ano, sem aumentar significativamente as forças terrestres.

Foi necessária a saída de Donald Rumsfeld - autor da fracassada política do Iraque e da doutrina de ir à guerra com menos contingente do que necessário - para Bush finalmente aceitar a realidade.

Não há um número certo e permanente para o tamanho das forças terrestres americanas. O tamanho atual - um pouco mais de 500 mil no Exército e 180 mil na Marinha - é baseado em estimativas militares do final da Guerra Fria. Ao passo que o mundo se transforma, tais estimativas devem ser constantemente reavaliadas. Quando o século 21 começou, planejadores do Pentágono esperavam que as forças americanas permanecessem sem desafios por algumas décadas, confiando nos poderes marítimos e aéreos, enquanto se preparavam para possíveis competições militares futuras com a China. Isso significaria investimentos nas Forças Aéreas e Marinha.

Então os atentados de 11/09 mudaram tudo, exceto a mentalidade do Pentágono. Durante os anos de Rumsfeld, a realidade foi subordinada a um dogma de "transformação", que declarava que com um pouco mais de tecnologia, o Exército poderia combater mais com menos soldados.

Todos os anos desde 2001 trouxeram cada vez mais demandas nas escassas forças terrestres americanas, enquanto bilhões de dólares continuavam a fluir no sustento e na modernização dos equipamentos das excessivas e sub-utilizadas Forças Aéreas e Marinha. Como resultado, o orçamernto geral do Pentágono é maior do que deveria ser, enquanto a parte enviada às forças terrestres é pequena demais.

Aumentar as forças terrestres custará cerca de US$1,5 bilhões ao ano para cada 10 mil tropas adicionais, assim como dezenas de bilhões em gastos de recrutamento e equipamento. Porém a América pode bancar o esforço e ele pode ser feito sem nenhum aumento signigicativo no orçamento militar anual.

Por exemplo, os estimados US$15 bilhões ao ano necessários para adicionar mais 100 mil tropas terrestres poderiam ser facilmente encontrados no corte de gastos desnecessários em aviões furtivos, submarinos de ataque, além da diminuição das tropas ativas da Força Aérea e Marinha para refletir melhor os requerimentos atuais de campos de batalha.

Com o tempo, forças terrestres maiores significarão rotações de tropas mais sustentáveis, menos envios internacionais da Guarda Nacional e melhores proporções nos campos de batalha entre soldados americanos e inimigos. É o mínimo que a América pode fazer aos homens e mulheres que arriscam suas vidas para nos proteger.





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