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Paternidade se torna terapia para crianças com problemas psiquiátricos

22/12 - 11:28 - The New York Times

BUFFALO, N.Y. - Na escola, era flexível e com bom temperamento, um menino que abraçava seus colegas e que caía de sua cadeira repetidamente, como se não tivesse idéia de como usar uma.

Mas em casa, após brigas com seus pais, sua exuberância se tornava selvagem. Do exílio de seu quarto, Peter Popczynski jogaria longe tudo que estava a seu alcance - livros, lápis, luminárias, roupas, brinquedos - marcando as paredes da casa de tijolos da família.

Os Popczynski rapidamente receberam o diagnóstico de seu filho, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, ou TDAH, e foram recomendados a administrar a medicação estimulante Ritalin. Médicos possuem amplas evidências de que estimulantes não são acalmam fisicamente as crianças, mas também aumentam suas performances escolares, pelo menos enquanto tomam a medicação.

Porém, como a maioria dos pais, o casal preferia evitar o tratamento medicamentoso se fosse possível. Em vez disso, com o aconselhamento de psicólogos da Universidade de Buffalo, mudaram a maneira como interagiam com Peter e seu irmão mais novo, Scott. E no curso de um ano difícil, ocasionaram uma transformação em seu filho. Ele ainda tem dias onde arruma confusão, como qualquer outro garoto de 10 anos, mas não apresenta mais o nível de distração e ansiedade que levaram a seu diagnóstico psiquiátrico.

"As pessoas estão muito estressadas, e é muito mais fácil falar 'Tome este remédio e vá para seu quarto, me deixe em paz'", disse Lisa Popczynski. Peter sentou-se no sofá e fez sua lição de casa enquanto seu marido Romam ocupava Scott, de 8 anos.

"O que eu diria para estas pessoas é que você está disposto a tomar a responsabilidade, poderá fazer uma grande diferença", disse Popczynski, designer de interiores. "Eu comparo a paternindade e maternidade à dirigir. Todos aprendemos rapidamente como dirigir um carro. Porém, se precisar dirigir um caminhão terá que passar por treinamento".

Nas últimas décadas, a psiquiatria veio a entender os problemas mentais como um assunto puramente biológico, com as anomalias cerebrais enraizadas na variação genética. Ao definir as desordens psicológicas como problemas primários das químicas cerebrais, a ênfase biológica levou a uma crescente dependência de remédios psiquiátricos.

Porém a ciência por trás dos tratamentos não-medicamentosos está cada vez mais forte. E agora, alguns pesquisadores e médicos pesquisam como certas terapias podem ajudar a resolver tais problemas, combinadas ou não com remédios.

Em uma análise compreensiva feita em agosto, a Associação Psicológica Americana encorajou que "para a maioria" dos problemas psicológicos em crianças, a intervenção não-medicamentosa "deveria ser considerada em primeiro lugar", incluindo técnicas que se concentrem nas habilidades maternas e paternas.

Benedict Carey





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