Negociação sobre caças franceses pode ser retomada em 2012, diz Patriota

Situação só deve acontecer caso a crise econômica não se revele tão forte

BBC Brasil |

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A negociação sobre a venda de caças franceses para as Forças Armadas do Brasil pode ser retomada em 2012, caso a crise econômica global não se revele tão grave, disse nesta quarta-feira, em Nova York, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Segundo Patriota, que falou a jornalistas após uma série de reuniões bilaterais da presidente Dilma Rousseff com líderes de cinco países, ocorridas à margem da 66ª Assembleia Geral da ONU, o tema foi tratado na conversa dela com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

"A presidente lembrou que, por força das contrações orçamentárias no Brasil, esse debate foi postergado, e ela até o vinculou à crise econômica", afirmou o chanceler. "[Dilma afirmou] que, dependendo de como evolua a crise, e se ela se revelar menos grave do que imaginam, esse tema poderá ser retomado no ano que vem", disse.

Patriota afirmou ainda que, nos próximos meses, os dois países devem se reunir para avaliar como levar adiante a "cooperação estratégica" que mantêm na área de Defesa, que já resultou na compra de submarinos e helicópteros franceses pelo Brasil, em 2008.

Em 2010, surgiram rumores de que Brasil e França haviam fechado um acordo para a venda de 36 caças franceses Rafale à Força Aérea Brasileira, ao custo de cerca de US$ 6 bilhões (R$ 11 bilhões). No entanto, a negociação jamais foi concretizada e gerou polêmica, já que um relatório técnico da FAB teria revelado que o Rafale era inferior aos seus dois concorrentes na disputa - o caça sueco Gripen e o americano F-18, da Boeing. À época, o então chanceler (hoje ministro de Defesa) Celso Amorim afirmou que a decisão brasileira sobre a compra não deveria levar em conta apenas critérios técnicos, mas também políticos.

Neste ano, no entanto, o corte de R$ 4 bilhões (26,5% do total) no orçamento do ministério da Defesa congelou os planos de aquisição de aeronaves. Crise econômica Além de Sarkozy, Dilma encontrou-se nesta quarta-feira, após discursar na abertura da Assembleia Geral, com o premiê da Grã-Bretanha, David Cameron, e com os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, do Chile, Sebastián Piñera, e do Peru, Ollanta Humala.

Segundo Patriota, em todas as conversas, Dilma expressou sua preocupação com a crise econômica global, assim como fizera pela manhã em seu discurso. Nas conversas com os líderes sul-americanos, ela pregou, de acordo com o chanceler, uma articulação para que os avanços econômicos conquistados nos últimos anos na região "não sejam perdidos", e afirmou que os ministros das Finanças e presidentes dos Bancos Centrais sul-americanos deveriam se reunir com maior frequência.

Os líderes da Grã-Bretanha e França, por sua vez, demonstraram apoio à demanda brasileira por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, também expressa no discurso da presidente. Ambos os países já detêm cadeiras permanentes no órgão, ao lado dos Estados Unidos, Rússia e China.

Nesta quinta-feira, Dilma encerra sua visita em Nova York ao participar de um encontro na ONU sobre segurança nuclear. A reunião tratará das perspectivas da energia nuclear após o acidente no Japão, em março, quando um terremoto, seguido de um tsunami, causou vazamentos radioativos na cidade de Fukushima.

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